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Atualizado em 11/02/2019

Governo Bolsonaro 'espiona' bispos católicos

Governo vê igreja Católica como potencial opositora; relatórios são dos comandos militares em Manaus e Belém

Governo Bolsonaro 'espiona' bispos católicos Bispos Brasileiros terão encontro com o papa Francisco, em outubro, no Vaticano (Foto: Agência Brasil)

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM  -O avanço da Igreja Católica nas discussões sociais e envolvimento com as massas mobiliza o governo Bolsonaro a usar a Agência Brasil de Inteligência (Abin) e comandos militares para espionar a movimentação de bispos e padres brasileiros. O governo quer conter a realização do  ‘Sínodo da Amazônia’, um encontro global de 250 cardeais, previsto para outubro de 2019, em Roma, no Vaticano, com o Papa Francisco para discutir a realidade de índios, quilombolas, ribeirinhos e demais povos da Amazônia, políticas de desenvolvimento dos governos da região, mudanças climáticas e conflitos de terra.

 

O Palácio do Planalto vê a Igreja Católica como tradicional aliada do PT. A Abin é chefiada pelo general Augusto Heleno, que é o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Para o governo B0lsonaro esses debates, dos líderes da Igreja Católica, é uma interferência em assunto interno do país e representaria uma ameaça a soberania. Ou seja, o ‘Sínodo da Amazônia’ é uma agenda de esquerda.     

 

De acordo com A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo,  o Gabinete de Segurança Institucional recebeu esses relatórios de inteligência do Comando Militar da Amazônia, em Manaus e do Comando Militar do Norte, em Belém.  

 

'Achamos que isso é interferência em assunto interno do Brasil', disse Heleno. Escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitoram a presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em paróquias e dioceses", afirma o general Heleno.

 

Ainda segundo o Estadão, com base nesses relatórios de inteligência, o ‘governo Bolsonaro vai procurar governadores da Região Norte, prefeitos e até autoridades eclesiásticas que mantêm boas relações com os quartéis, especialmente nas regiões de fronteira, para reforçar sua tentativa de neutralizar o Sínodo’.  

 

Com as informações da Abin o governo fez uma conexão sobre as criticas que Bolsonaro recebeu da Conferencia Nacional dos Bispo do Brasil durante a campanha eleitoral. Movimentos ligados a igreja também criticaram o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, lançado recentemente. Ainda na campanha, bolsonaristas reagiram as críticas e chamaram o Papa Francisco de ‘comunista’. Foi aí que Bolsonaro desistiu da CNBB e investiu no apoio dos evangélicos.   

 

Bolsonaro vai agora, segundo o Estadão, envolver também o Itamaraty, para monitorar discussões no exterior, e o Ministério do Meio Ambiente, para detectar a eventual participação de ONGs e ambientalistas, nas discussões com cardeais.

 

Apesar do ‘Sínodo da Amazônia’ ser em outubro, num encontro de 23 dias dos cardeais brasileiros, a mobilização da CNBB já começou.  A programação inicia no dia 19 de janeiro de 2019,  numa abertura simbólica com a visita do papa Francisco a Puerto Maldonado, na selva peruana.

DEAMAZONIA.COM.BR

 

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