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Atualizado em 10/02/2019

PSL de Bolsonaro cria candidata laranja para usar verba de R$ 400 mil

Com apenas 274 votos, a candidata por Pernambuco, recebeu a terceira maior fatia de verba pública do partido

PSL de Bolsonaro cria candidata laranja para usar verba de R$ 400 mil Presidente Jair Bolsonaro e Luciano Biva (Foto: Divulgação)

Fonte: Jornal GGN 

O aliado do atual presidente Jair Bolsonaro, presidente do PSL e voz direta do governo na Câmara dos Deputados, Luciano Bivar (PSL-PE), criou uma candidatura laranja em Pernambuco e chegou a receber R$ 400 mil de dinheiro público destinado ao partido, nas eleições 2018.

 

A informação é de manchete da Folha de S.Paulo, neste domingo (10/02). A candidata Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, recebeu a quantia para disputar como deputada federal. O valor é maior do que recebeu o próprio presidenciável eleito Bolsonaro. Paixão teve apenas 274 votos na disputa, muito abaixo, por exemplo da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que ganhou mais de 1 milhão de votos.

 

 

A reportagem descobriu que, apesar de ter sido agraciada com a terceira maior fatia de verba pública do PSL de Jair Bolsonaro, a candidata foi escolhida para a disputa de última hora para preencher as vagas remanescentes, para preencher a cota de gênero.

 

Pelo perfil e com a decisão para a escolha da candidatura pelo PSL, com a já esperada baixa votação, a candidata poderia ser considerada laranja para o uso de R$ 400 mil da verba pública do fundo eleitoral.

 

Ainda, o jornal decidiu visitar as gráficas que foram declaradas na prestação de contas de Maria de Lourdes Paixão e todos os indicativos de se tratar de serviços de fachada para uma candidatura laranja foram levantados. “A Folha visitou os endereços informados pela gráfica na nota fiscal e na Receita Federal e não encontrou sinais de que ela tenha funcionado nesses locais durante a eleição”, informou o jornal.

 

Já o presidente do PSL, Bivar foi o responsável pela escolha e orientação dos candidatos de Pernambuco para as eleições 2018. Inclusive, o comando formal do PSL em Pernambuco é de Antonio de Rueda, advogado particular do eleito deputado Luciano Bivar.

 

Ao serem questionados, ambos atribuíram à Gustavo Bebianno a decisão de repassar a grande quantidade do fundo do PSL, de R$ 400 mil à Maria de Lourdes. Bebianno foi o coordenador da campanha de Bolsonaro, que ativou em grande parte eleitorado sob o discurso contra a corrupção. Hoje, ele é hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e não respondeu à Folha.

 

Já Luciano Bivar (PSL-PE) opinou ser contra a necessidade de que pelo menos 30% dos candidatos de um partido devem ser mulheres. Tentando desviar a apuração principal da reportagem, disse que “é contra a regra”: “É isso que eu estou dizendo que vocês têm que bater”, disse.

 

E assim opinou: “Você tem que ir pela vocação. Tá certo? Se os homens preferem mais política do que mulher, paciência. É a vocação. Se você fosse fazer uma eleição para bailarinos e colocasse uma cota de 50% para homens, você ia perder belíssimas bailarinas. Porque a vocação da mulher para bailarina é muito maior. É uma questão de vocação, querida. Eu não sei como é na sua casa, mas acho que seu pai seria candidato e sua mãe, não. Ela prefere outras coisas, ver o Jornal Nacional e criticar. Do que entrar pra vida partidária. Não é muito da mulher.”

 

No último dia 4 de fevereiro, a Folha havia divulgado outra reportagem sobre o esquema de patrocínio de candidaturas laranjas pelo PSL, comandado pelo deputado federal eleito por Minas e atual ministro do Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio (PSL).

 

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