Segunda, 10 de agosto de 2020

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Atualizado em 17/02/2016

ANDRÉ SEFFAIR # Vamos celebrar a estupidez humana

ANDRÉ SEFFAIR # Vamos celebrar a estupidez humana

Dizem os sábios que a definição de estupidez é o caboco conhecer a verdade, ouvir a verdade, ver a verdade, mas ainda assim acreditar na mentira.


Em maior ou menor escala, cada um de nós brasileiros se faz de estúpido pelo menos uma vez a cada dois anos, quando somos obrigados a votar em alguém,  sabidamente pilantra,  para assumir os mais caros cargos representativos da República.


Às vezes a estupidez dura os 365 dias do ano e o caboco acha que a fuleragem só ocorre em Brasília, nunca na sua cidade, ou vice-versa. 0 desgraçado acha que só o prefeito é que é safado, mas jura de pé junto que os senadores, deputados, presidente, são santos. Nada mais estúpido.


Os sucessivos escândalos de corrupção já deveriam ter deixado claro para cada brasileiro que as relações obscuras entre políticos e financiadores de campanha estão esculhambando nossa democracia.


Tem alguma coisa absolutamente errada num ambiente político onde só se elege quem tem muito dinheiro. Mas nós brasileiros continuamos acreditando em saci, curupira e na cuca, imaginando que esses pilantras, travestidos de heróis alados, vão solucionar todos os problemas da nossa vida. Não vão resolver nada, senão a situação financeira deles mesmos e de seus puxa-sacos.


O problema dessa estupidez, sem controle,  é que nossa própria democracia se degenerou.

 

Se soluções urgentes e verdadeiras não forem adotadas os resultados, apesar de imprevisíveis, parecem catastróficos, não só para os eleitores incautos, mas para os políticos e financiadores que se acham “os espertos” nessa parada toda.


Nesse mundo cão, é que surgirão mais uma vez os mesmos “heróis e heroínas”, sabidamente ladrões e/ou incompetentes, como candidatos à solução de todos os problemas da cidade. "Não se preocupem" parintinenses, manauaras, amazonenes e  brasileiros em geral, seus problemas acabam este ano, os candidatos das “Organizações Tabajara” estão aí pra te enganar, assim como fizeram em 2014, 2012, 2010, 2008...


Não acredite em heróis na política, pois a simples ideia da existência deles anula a possibilidade de que cada indivíduo tenha discernimento e dignidade próprios de alcançar, por, si, sua felicidade e a liberdade. Para tanto, é um direito natural, inerente a cada ser humano.


O mundo do dinheiro que sustenta campanhas políticas precisa reinventar suas figuras, pois esse processo de produção em série de mais políticos da mesma índole já se esgotou em sua própria autofagia.


Nesse método republicano, de depuração civilizada, ainda temos instituições que procedem a transformação por meio de processos, condenações e prisões. Mas a julgar pela impaciência da turba irada, sabe-se lá até quando se conseguirá sustentar ao menos isto. Que os financiadores, hoje, e os políticos, amanhã, deem graças a Deus de irem presos, pois se dependesse do ambiente de caos, que estupidamente produziram na Nação, já estariam sumariamente executados pelo “tribunais de bandidos de periferia”,  que sua política hipócrita espalhou pelo Brasil.


O Estado brasileiro, produzido e mantido por esta horda de réus e suspeitos de falcatruas, tem se mostrado de ausente a falido em questões fundamentais para o desenvolvimento da cidadania. A permanecer “mais do mesmo” e cada indivíduo, cada vez mais individual em suas convicções, formadas na “inteligência” duvidosa de ideologias nefastas, turbinadas pelo ódio do pseudoanonimato das redes sociais, estamos rumando,  seguramente,  para um mundo de guerra de todos contra todos.


Somos um povo que se autodenomina pacífico, mas aceita viver numa guerra particular onde mais de 50 mil pessoas são assassinadas por ano. Somos gente que se olha no espelho e se enxerga esclarecida, mas comemora como idiota, “a cada fevereiro e feriado, os mortos nas estradas, a falta de hospitais, o voto dos analfabetos”.

 

Somos uma galera que bate no peito pra dizer que é honesta, mas vende voto adoidado em troca de dinheiro, favores e “amizades”. Somos gente bacana que reclama de segurança pública mas é conivente, às vezes cúmplice, com o tráfico de drogas e bate palmas para a covardia da violência policial contra cidadãos indefesos. Torcedores do “melhor futebol do mundo”, mas que apanha de 7 da Alemanha dentro de sua própria casa. Estupidamente, somos o retrato fiel da definição de nossa própria estupidez.


Sejamos menos estúpidos, senão por nós, mas por nossos filhos e netos. A Nação agradece. Até!

*O autor é promotor de Justiça do Amazonas; mestre em Segurança, Direitos Humanos e Cidadania

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