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Atualizado em 06/09/2018

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO #Yes, nós temos xenofobia

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO  #Yes, nós temos xenofobia

Quem diria, o Brasil com ares de Europa. Em época de globalização a Linha do Equador está mais próxima dos trópicos do que a Geografia pode explicar. Cá, na nossa fronteira setentrional, através do estado de Roraima, acontece atualmente, guardadas as proporções, o mesmo que na Europa acontece há vários anos. Lá, assim como cá, o número de imigrantes é basicamente formado por vítimas de algum tipo de violência. São seres humanos debilitados física e socialmente, que se aventuram caminhando por dias a fio em busca de oportunidades para sobreviverem, fugindo de um holocausto que se desenha.

 

Seria surpreendente, se não fosse trágico, o Brasil ser comparado com um desses países europeus preferidos pelos que buscam refúgio. Aqui também são alvos de xenofobia e, o que é pior, os brasileiros também vivem suas guerras diárias que vão desde as desumanas filas do SUS aos feminicídios que afloram pelo país.

 

Aqui, como lá, também impomos barreiras, mas não se trata de barreiras sanitárias, imposições religiosas ou ojeriza por raça, por questões de língua ou cor da pele. As mazelas do cotidiano brasileiro são capazes de afugentar qualquer um. Os números de venezuelanos que deixaram seu país ilustram muito bem essa barreira. Vejamos, dos mais de dois milhões de imigrantes que saíram da Venezuela desde que os desencontros políticos fizeram aflorar os confrontos violentos nas ruas, apenas 60 mil preferiram pedir refúgio no Brasil.

 

Enquanto, todo atabalhoado, o governo brasileiro cria medidas para fazer acontecer a política da boa vizinhança, muitos brasileiros abastados deixam o Brasil e procuram, principalmente, Estados Unidos, Espanha e Portugal para fugir de nossa maçante violência doméstica. Pacaraima, Boa Vista, Manaus estão para os venezuelanos assim como Espanha, Itália, Turquia estão para os sírios, africanos e oriundos do médio oriente. Sim, temos um problema de grande magnitude para administrar e resolver que, de plano, só agrava os que relutamos em encontrar uma solução.

 

Diante de um quadro desolador social e economicamente, enfrentando uma forte instabilidade política e enervada por uma desenfreada insegurança pública, patrocinada por um desprestigiado chefe do poder Executivo, ao povo venezuelano não sobrou alternativa senão deixar o país, pelo menos os que podem. Guardadas as proporções, o vizinho ao sul também tem sintomas semelhantes e até piores.

 

A comparação é inevitável. Aqui os brasileiros já enfrentam a pobreza, o desemprego, a falta de moradia, e faltam políticas públicas efetivas e necessárias para que se ergam. Sofrem com o abandono, insegurança, violência e drogas. Lá, com o desabastecimento e total incerteza.

 

Enquanto discutem o que fazer, quando fazer e como fazer com os venezuelanos, colombianos, haitianos, peruanos, etc., passam-se os anos e tudo volta a acontecer de novo. Faltam escolas de qualidade, saúde com responsabilidade, economia com estabilidade e, principalmente, oportunidades para que eles e nós possamos transpor todas as barreiras, as fronteiras e erguermos a bandeira da paz entre os povos. Os povos unificados que lutam contra o feminicídio, a homofobia, o genocídio, o latrocínio, a corrupção e a xenofobia.

 

Nós, brasileiros, temos uma excelente oportunidade de começar a desenhar essa bandeira, a partir do dia 7 de outubro. Quem sabe assim possamos cuidar melhor das nossas crianças, dos idosos, do trabalhador e aumentar, assim, o nosso cardápio de produtos made in Brazil.

 

*Auditor fiscal e professor.

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