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Atualizado em 13/02/2018

Salgueiro leva Estandarte de Ouro de melhor escola

O Estandarte de Ouro é o prêmio mais importante do carnaval carioca.

Salgueiro leva Estandarte de Ouro de melhor escola Alegoria do Salgueiro no Sambódromo Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

A Acadêmicos do Salgueiro ganhou o Estandarte de Ouro de melhor escola do Grupo Especial. Este ano, as mulheres negras foram as estrelas do desfile da vermelha e branca. A escola — dirigida por uma mulher e que, em 2007, já tinha cantado as Candaces, para celebrar as figuras femininas nas culturas da África e do Brasil — voltou à temática, desta vez com o carnavalesco Alex de Souza, que estreia na agremiação Tijucana.

 

Passaram pela Avenida as heroínas do passado, como as deusas egípcias, as soberanas de Angola e as líderes quilombolas. Num dos carros, sobre as rainhas do Norte africano, uma grande escultura representou a deusa da fertilidade, Ísis, amamentando seu filho, Hórus.

 

Mas foram homenageadas também as guerreiras da modernidade, muitas delas chefes de família. Da mesma forma que foram lembrados enredos da própria agremiação, que ajudou a revelar ao país histórias como a de Chica da Silva. Num desfile em que todo o poder foi feminino, ganhou destaque ainda sambistas essenciais à força da vermelha e branca, como baianas, passistas, porta-bandeiras e senhoras da velha guarda. Tudo com o luxo típico do Salgueiro.

 

No ano em que completa 80 anos, Martinho da Vila foi considerado personalidade do ano pelo Júri do Estandarte.

 

Leandro Vieira, da Mangueira, vai receber o prêmio de melhor enredo, com "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco", uma crítica ao corte de recursos repassados às escolas de samba pela prefeitura do Rio.

 

O melhor samba-enredo foi o da Mocidade Independente, com "Namastê... A estrela que habita em mim saúda a que existe em você", dos compositores Altahy Veloso, Zé Glória, Paulo Cesar Feital, J Giovanni, Denilson do Rosário, Alex Saraiça e Carlinhos da Chácara e T. Meiners. Para o júri, o samba-enredo teve grande execução na Avenida e emocionou o público.

 

A Mocidade também levou o prêmio na categoria bateria, comandada pelo mestre Dudu na Sapucaí.

 

Para o júri do Estandarte de Ouro, a mellhor comissão de frente foi a do Paraíso Tuiuti. "O grito de liberdade" era o nome da ala, que arrancou aplausos e lágrimas de emoção de quem acompanhou o desfile na Marquês de Sapucaí. Com a pergunta-enredo "Meu Deus, meus Deus, está extinta a escravidão?", a escola de São Cristóvão questionou o fim do trabalho escravo no Brasil 130 anos após a assinatura da Lei Áurea.

 

A Grande Rio conquistou os prêmios de melhor mestre-sala, com Daniel Werneck, e porta-bandeira, Verônica Lima. Para os jurados, embora o julgamento do quesito seja individual, a harmonia do casal na Avenida fez a diferença.

 

O prêmio de melhor puxador foi para Tinga, da Unidos da Tijuca. O intérprete começou a carreira nos anos 1990, na Vila Isabel. Ele também passou pelo carnaval de São Paulo.

 

André Samma, da Vila Isabel, ganhou o Estandarte de melhor passista masculino. No feminino, o prêmio foi para Daniele, da Grande Rio.

 

O Estandarte de melhor ala das baianas ficou com a Mangueira. A Estação primeira também faturou na categoria ala, a Garra Mangueirense, com o figurino "Bloco de sujo ou vem como pode no meio da multidão".

 

Raphaela, porta-bandeira da Império Serrano, foi escolhida revelação do ano pelos jurados.

 

Na categoria inovação, os jurados entenderam que a interação de imagens de um telão com os componentes da comissão de frente da Grande Rio foi o uso criativo, oportuno e adequado da tecnologia nos desfiles.

 

CUBANGO GANHA NA SÉRIE A

A Acadêmicos do Cubango ganhou os Estandartes de Ouro de melhor escola e melhor samba-enredo da Série A de 2018. A escola de Niterói homenageou Bispo do Rosário com o enredo "O rei que bordou o mundo", dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, e foi a quinta a desfilar na segunda noite de desfiles na Sapucaí.

 

O Estandarte de Ouro é o prêmio mais importante do carnaval carioca. Organizado desde 1972 pelo GLOBO, o troféu agora também tem a participação do jornal "Extra". A premiação tem 15 troféus para o Grupo Especial e dois para a Série A.

 

O júri é formado por especialistas no assunto e tem em 2018 o reforço do historiador Luiz Antonio Simas, colunista do Segundo Caderno do GLOBO e um dos maiores estudiosos da cultura popular. Simas já havia participado do corpo de jurados em 2013.

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