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Atualizado em 23/03/2015

RENAN ALBUQUERQUE #O Rádio comunitário em Parintins

RENAN ALBUQUERQUE  #O Rádio comunitário em Parintins

O rádio é um dos meios de comunicação mais tradicionais da Amazônia. No Brasil, desde

seu surgimento na década de 1922, teve papel ímpar no processo comunicacional. Mesmo com o

surgimento da televisão, nos anos 1950, continuou a ser um veículo importante na difusão das

informações no bioma.



Em Parintins, município a leste da capital Manaus/AM, o rádio foi veículo comunicacional

pioneiro em uma época distante. A primeira emissora de rádio a funcionar na cidade foi o Sistema

Alvorada de Comunicação, instalado por meio da igreja católica com a missão de atingir toda a

região do Baixo Amazonas. A segunda emissora foi a Rádio Clube, criada em 1987 pela família

Gonçalves.

 


A terceira emissora foi a Rádio Comunitária Novo Tempo FM. Fundada em 1999 pela Igreja

Adventista do 7o Dia, com objetivo de disseminar a palavra de Deus para a população. Por último,

foi criada a Rádio Tiradentes. Idealizada pela rede de Rádio Tiradentes/Amazonas, a instalação em

Parintins foi em dezembro de 2005.

 


Dessas quatro emissoras de rádio, nenhuma faz parte de associações comunitárias. Todas

são ligadas a religiões, políticos ou empresários. Dessa forma, infere-se que tudo o que é divulgado

e cedido por essas emissoras tende a ser de interesse de grupos privados, sendo as pessoas as

principais afetadas com a situação, principalmente na hora de cobrar direitos civis.

 


Dentre as quatro emissoras citadas, uma opera como rádio comunitária por lei. Todavia,

pouco se cumpre no que tange à normatização de serviços para que se possa operar como sistema

de radiodifusão comunitária. Primeiro por que de todos os programas da emissora apenas um é

direcionado à população. Segundo ponto são as músicas tocadas na emissora: todas são da religião

que controla a rádio – denotando falta de democratização nas escolhas rítmicas.

 


O terceiro ponto é a falta de espaço para segmentos comunitários se expressarem e demais

movimentos públicos e apartidários organizados da cidade na rádio comunitária. Desse modo, o

veículo de comunicação parece não estar servindo de forma correta como regem leis que

regulamentam o setor das rádios comunitárias no Brasil.

 


Sem ter voz por meio de uma rádio que deveria fazer o papel de popularizadora de debates

sociais, as pessoas buscam alternativas para contrapor informações às emissoras radiofônicas

tradicionais de Parintins. Via redes sociais e jornais de baixa circulação, a população vem

colocando suas ideias em pauta na sociedade. Nesse contexto, as mídias sociais tem tido um papel

muito importante no sentido de dar oportunidade às pessoas se expressarem.

 


Sem o mecanismo, a população não teria como se expor em contraponto às desigualdades

presentes na sociedade parintinense e no entorno rural, sobretudo porque o acesso à comunicação

em diversas segmento é direito adquirido e pressuposto para se alcançar uma sociedade justa e

igualitária.

 


Depreende-se do exposto que a rádio comunitária de Parintins é um veículo que ainda usa os

mesmos discursos de demais rádios privadas em funcionamento no município, de modo controverso

ao que foi criada. Discurso que precisa ser analisado e debatido – o que auxiliaria

significativamente a vida na Ilha Tupinambarana, almejando-se a democracia comunicacional

plena.

*O autor é professsor da Ufam


* Colaborou Wericson Simões, estudante de comunicação social/jornalismo da Ufam de Parintins

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