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Atualizado em 23/03/2015

WILSON NOGUEIRA #Do Pará

WILSON NOGUEIRA         #Do Pará

O  economista paraense Armando Mendes, em seu livro ‘A invenção da Amazônia’, enfatiza que esta região, para se desenvolver, precisa construir uma economia de ‘dentro para fora’. Isso exige um planejamento que considere as necessidades sociais, ambientais e econômicas interrelacionadas, proposta que poderia corrigir as ações ‘de fora para dentro’ que, ao longo dos séculos, causam danos ao meio ambiente e aos povos amazônicos.
 
Os ‘ciclos’ das drogas dos sertões, da tentativa do plantation, da borracha, da ocupação por meio de migração induzida, com apoio dos grandes projetos de mineração e agropecuária, das zonas de livre comércio e indústria etc. dizem respeito à imposição de modelos que, no final das contas, mais agrediram que  beneficiaram a população, o meio e os recursos naturais da região. Nenhum desses ‘ciclos’, por exemplo, levou em consideração as  populações indígeno-caboclas e suas vivências; em vez disso, trataram anulá-las, com massacres, desprezo ou cooptações, por serem consideradas empecilhos ao progresso.
 
Para Armando Mendes, a Amazônia precisa superar essa condição de armazém das metrópoles econômicas de ontem e de hoje, a fim de gerar relação de sustentabilidade entre os negócios, os recursos naturais e o bem viver da população. Essa proposta não cabe no mercantilismo nem no capitalismo  de terra arrasada que, em pleno século 21, caminham juntos por aqui. Seus ideólogos não reconhecem a inteligência e a criatividade das aldeias, dos lugarejos, das cidades ou das universidades que não se rendam ao pensar de ‘fora para dentro’.
 
Os resultados da economia forasteira são bem conhecidos: desmatamentos causados pela indústria madeireira, pelos agronegócios, pela mineração e pela abertura de rodovias que facilitam o surgimento de aglomerados humanos sem qualquer planejamento; e também de inundações provocadas pelos represamentos hidrelétricos; e assoreamento de rios e lagos motivado pelos desflorestamentos; e escassez de alimentos básicos da dieta dos amazônidas, como peixes, caças e frutos.
 
Armando Mendes imaginava uma economia que, antes de tudo, compatibilizasse os recursos e as necessidades locais/regionais aos interesses do País/mundo. Havia nele um quê de esperança em um possível capitalismo tangenciado pela necessidade  de preservação do planeta, na qual se fortalece a proposta de desenvolvimento sustentável. Por isso, divulgavas as suas visões de forma simples, porém, contundentes, para chamar a atenção dos estudiosos, dos governos e dos homens e mulheres comuns inconformados com a violência e prevalência do penar e do agir do colonizador dos dias de hoje.
 
Em 2009, em colóquio sobre meio ambiente promovido pelo Flifloresta, realizado pela Editora Valer, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Armando Mendes disse que ainda gostaria de ver o ‘pato no tucupi’, iguaria da culinária paraense, enlatado igual à feijoada carioca, e vendida em supermercados do Brasil e do mundo. Não sei se esse sonho do ilustre paraense está realizado ou para se realizar, mas imagino que ele e tantos outros que se empenham em tirar a Amazônia da dependência das ‘metrópoles’ não falaram e não falam ao vento.
 
No tempo que sobrou do 23.º Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós), realizado na semana passada, em Belém, percebi uma diversificada e criativa produção de produtos regionais: cachaça de jambu; cervejas de açaí, taperebá, murici e buriti; farinhas empaneiradas como souvenir; chocolate tipo caseiro; queijo de gado búfalo do Marajó; beijus de mandioca e macaxeira em embalagem à vácuo; ingredientes culinários de ervas e sementes da floresta. No Mercado  Ver-o-Peso, nas  Docas,  nas feirinhas ou  nos shopping de Belém existe sempre um produto  com cor e sabor local  a  surpreender. O mesmo se diz, e já não é de hoje, da competência receptiva, da culinária e da música paraenses.
Aí não dá para ir a Belém e não se lembrar desse Armando Mendes que pensava a Amazônia, sobretudo a partir da sua capacidade ecológica de promover a vida em abundância.
Então, tá explicado!
 
*O autor é jornalista e escritor

Sobe Catracas

ALFREDO MENEZES, coronel reformado do Exército

Assumiu a superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), nomeado pelo presidente Bolsonaro

Desce Catracas

DOCA ALBUQUERQUE, prefeito de Terra Santa

Justiça Eleitoral cassou (primeira instância) mandato dele de prefeito por abuso de poder econômico nas Eleições de 2016