Quinta, 27 de janeiro de 2022

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Atualizado em 09/01/2022

ROBÉRIO BRAGA - Pastorinhas de Manaus

ROBÉRIO BRAGA - Pastorinhas de Manaus Robério Braga, presidente da Academia Amazonense de Letras

Todos os anos quando chega o tempo das festas dos Reis Magos – 6 de janeiro – reconhecidos como santos pela igreja católica apostólica romana depois de muitos anos da contação de que teriam visitado o Menino Jesus, ainda na manjedoura, em gruta encravada que terminou por defendê-lo da ira doentia de Herodes, toda vez, repito, fico a recordar que eu costumava ouvir uma cantoria comum em alguns bairros da cidade, e hoje somente acontecida, ao que sei, na cidade de Parintins: “Meu senhor dono da casa/Abre a porta e acende a luz/Venho pedir esmola/pelo nome de Jesus”.

 

E como não mais ouvir falar das Pastorinhas, desde quando tentei resgatar essa tradição e o que se conseguiu foi somente algumas poucas brincadeiras que se apresentaram no Largo São Sebastião, recorri a mestre Mário Ypiranga Monteiro que é sempre uma ótima fonte de pesquisa em folclore amazonense, e o fiz para registrar essa fase na qual, para a igreja católica, se trata da confirmação de que Jesus nasceu e chegou em meio de nós.

 

Sempre soube que as Pastorinhas eram forte tradição amazonense, com música, dança, diálogos, figurino especial e colorido, cajados e pandeiros dentre os adereços, e com os brincantes formando cordões e promovendo desafios, tudo com enredo bastante popular e de fácil entendimento, embora alguns consideram uma certa monotonia na apresentação.

 

Utilizando a pista de pesquisa que Mário Ypiranga forneceu, confirmei que, de fato, trata-se de animação bem antiga, lá pelos idos de 1872 quando João Eleutério Guimarães organizou uma apresentação artística, ele que foi artista e suplente de camarista (vereador) para o mandato de 1873-1876, na capital da Província do Amazonas. Desde então, teria sido naquele evento festivo e de caráter bíblico, que houve a primeira cantoria do divino na qual os brincantes se valiam – tal como ainda se valem – das figuras excelsas da  Estrela, do Anjo, do Sol, da Lua e da Baiana, por exemplo, abandonando as mais tradicionais do Natal.

 

E foi esse experimentado pesquisador do folclore que registrou a existência, somente em Manaus, das Pastorinhas denominadas Filhas de Judá, Estrelas do Oriente, Filhas do Egito, Estrelas do Norte, Estrelas do Oriente e Filhas de São José, estas últimas que ainda andei acompanhando algumas apresentações levadas a efeito nas imediações do igarapé de Manaus.

 

Reanimado no meu desejo de projetar melhor e estudar com precisão esse festejo que encerra o ciclo natalino, fiquei deveras satisfeito em saber que Parintins continua apresentando as suas “pastorinhas”, tal como estimulei quando estive à frente da Secretaria de Cultura, em vários anos, inclusive realizando as muitas mostras de cultura popular e quando da Copa do Mundo na capital amazonense, e as inclui no espetáculo do Concerto de Natal.

 

Em certa hora da apresentação, eis que Diana, com elegância peculiar começava a cantar: “Eu sou Diana mimosa e faceira/o Deus menino venho adorar/é por isso que vivo entre as flores/colhendo borboletas para ofertar.” Ao fim, depois de muita dança e música, se despedindo do público que assistira, havia um canto geral: “Adeus presépio adorado/que encerra todo o bem/Filho da Virgem Maria/o menino de Belém.” E não faz muito que ouvi, e desde então nunca me saiu da cabeça essa homenagem singela a Jesus e que as pastoras prestam na brincadeira do tempo de Reis Magos.   

 

*O autor é presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL) e ex-secretário de Cultura do Amazonas*                      

 

Sobe Catracas

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