Sábado, 17 de abril de 2021

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Atualizado em 03/03/2021

Epidemiologista Jesem Orellana critica Fiocruz: 'finge que não conhece nosso trabalho'

“Enquanto agências internacionais de notícias como a Reuters e The Independent ou credenciados sites científicos como o New Scientist e Nature fazem ampla difusão de trabalho de interesse global, especialmente sobre Amazônia brasileira, a Fiocruz filtra nossa produção e atuação”, diz o cientista, que previu a segunda onda da Covid-19 no Amazonas.

Epidemiologista Jesem Orellana critica Fiocruz: 'finge que não conhece nosso trabalho' Epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz/Amazônia

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - O pesquisador e epidemiologista da Fiocruz-Amazônia, Jesem Orellana, fez duras críticas à direção da própria instituição de pesquisa, que segundo o cientista, ignora estudo desenvolvido por ele e por outro colega o epidemiologista e estatístico especialista em métodos quantitativos da Fiocruz/RJ, Marcelo Cunha.

 

“Enquanto agências internacionais de notícias como a “Reuters”, “The Independent” ou credenciados sites científicos como o “New Scientist”, fazem ampla difusão de trabalho de interesse global, em especial para a Amazônia brasileira, a comunicação institucional da Fiocruz, o que inclui a comunicação da minha unidade, Fiocruz/Amazônia, fingem que não conhecem o trabalho, que assino com outro colega da Fiocruz do RJ”, diz.

 

Orellana é um dos pesquisadores que previu, em agosto de 2020, a segunda onda da Covid-19 em Manaus. Autoridades o chamaram de alarmista. O epidemiologista também foi alvo de ataques de 'sites bolsonaristas' no Estado, que chegaram a difundir fake news sobre o trabalho dele.

 

 A própria Fiocruz/Amazônia também não deu importância aos avisos de alerta. A instituição ainda endossou o repúdio da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS/AM) contra as declarações do pesquisador, depois que Jesem Orellana apontou, ainda em setembro de 2020, para um iminente colapso na rede hospitalar de Manaus, com crescimento das internações e com o aumento do número de mortes, devido, segundo ele, o governo do Estado não adotar medidas mais duras de restrições, para conter a transmissão do vírus. Na ocasião o cientista já falava de óbitos que vinham ocorrendo em domicílios, por conta da doença.

LEIA  AS NOTAS da FVS/AM E DA FIOCRUZ sobre o episódio. 

 

Desde aquela época o epidemiologista trava uma luta diária no sentido de alertar o Brasil e o mundo para os problemas de má gestão da epidemia em Manaus, a capital da Amazônia. O pesquisador classificou a dupla catástrofe sanitária e humanitária como a mais grave ao longo de toda a pandemia. Por inúmeras vezes, Orellana propôs lockdown, em Manaus, recebendo apoio do ex-prefeito, Arthur Neto (PSDB) e seguidas negativas do estado e de sua própria instituição.

 

MORTES DE JANEIRO E FEVEREIRO SUPERAM 2020

Somente em Manaus foram 4.220 óbitos, entre janeiro e fevereiro de 2021, um percentual 21% maior do que todas as mortes por Covid-19 ocorridas no ano de 2020, que somaram  3.494 óbitos.

 

Foram mais de 12 alertas emitidos pelo pesquisador da Fiocruz/Amazônia, que poderiam evitar a catástrofe. Todos ignorados. Mas, a voz do epidemiologista ecoou na mídia nacional e também ganhou apoio e reconhecimento da Imprensa Internacional.

 

“Não importa se o artigo é um dos mais apreciados no portfólio do grupo ‘Nature’, um dos mais importantes do mundo científico. Importa mesmo é filtrar nossa produção e atuação”, desabafa. O último artigo publicado na revista científica britânica Nature é do dia 1º de março de 2021, conjuntamente com outros pesquisadores, com o título 'Variabilidade da precipitação e resultados adversos de nascimentos na Amazônia'. 

 

EPIDEMIOLOGISTA DENUNCIOU A FALTA DE OXIGÊNIO EM MANAUS

O epidemiologista foi quem denunciou para o Brasil, no dia 14 de janeiro, as mortes por falta de oxigênio da rede hospitalar de Manaus. Orellana recebeu relatos e vídeos de profissionais de saúde de que uma ala inteira de pacientes havia morrido por falta de ar. 

 

Também no dia 14 de janeiro, reportagem da Folha de São Paulo trazia levantamento inédito da Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil), de que o número de pessoas mortas em domicílios aumentou 38% no Amazonas entre 2019 e 2020, durante a pandemia do novo coronavírus. O total de mortos em residências passou de 3.201 pessoas, em 2019, para 4.418 no ano passado.

 

Observando várias falhas nas estratégias de prevenção e combate a pandemia no Amazonas, o pesquisador pediu a visita urgente de observadores internacionais independentes ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CNUDH), afirmando que ‘não era mais possível confiar nos diferentes níveis de gestão que estão à frente da epidemia em Manaus’.

 

“Esse esforço, iniciado em 2020, quando contrariei os caprichos do presidente Bolsonaro sobre a eficácia do Lockdown, é estéril e só apequena os responsáveis, que vivem buscando prestígio com política e não com a geração de conhecimento. Talvez prefiram as vantagens pessoais, acreditando que seus espúrios cargos são vitalícios”, avaliou o epidemiologista da Fiocruz-Amazônia.

 

O novo estudo a que Jesem Orellana se refere aborda a relação de chuvas extremas com o baixo peso de recém-nascidos e prematuridade. Segundo Orellana, as “conclusões do estudo são extrapoláveis e extensíveis para contextos semelhantes e, certamente, o Acre se encaixa no exemplo, já que está vivenciando uma grande inundação, atualmente".

 

O Portal deAMAZÔNIA entrou em contato com a Fiocruz/Amazônia e também enviou email com questionamentos sobre o assunto e aguarda retorno da instituição. 

 

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