Segunda, 01 de março de 2021

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Atualizado em 22/01/2021

Aborto, AVC e até morte: infectologista alerta para possíveis complicações do ‘tratamento precoce’

Ministério da Saúde retirou do ar, nesta quinta (21), aplicativo TrateCov que prescrevia cloroquina e ivermectina, remédios que Pazuello deixou em Manaus para tratar doentes de covid-19

Aborto, AVC e até morte: infectologista alerta para possíveis complicações do ‘tratamento precoce’ Pazuello e Bolsonaro fazendo propaganda da cloroquina para tratar covid019

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - Intoxicação aguda, hepatite medicamentosa, AVC, enfarto, aborto e até mesmo mortes. Essas são apenas algumas das complicações de pacientes que usaram medicamentos do chamado “tratamento precoce” ou “preventivo” contra a Covid-19 que foram relatadas por profissionais de saúde e que podem estar associadas, direta ou indiretamente, ao uso dessas substâncias.

 

Apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e inúmeros organismos respeitados mundo afora afirmarem e reafirmarem que não existe, até o momento, eficácia em nenhum tipo de “tratamento precoce” contra a Covid-19, o governo de Jair Bolsonaro, através de seu Ministério da Saúde, estimula a prática, inclusive com protocolos para o uso de medicamentos no que veio a se chamar de “kit Covid”.

 

O kit varia de acordo com a cidade e o médico que receita e, na maior parte dos casos, inclui medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina – todos sem nenhum tipo de eficácia comprovada contra a doença do coronavírus.

 

Esses relatos foram enviados ao perfil do Instagram “Casal Infecto”, administrado por dois médicos infectologistas que vêm tentando alertar as pessoas para os riscos que o uso indiscriminado dessas substâncias pode oferecer. O perfil tem quase 80 mil seguidores.

 

Tassiana Galvão, médica infectologista – que administra a página - e que atua em hospitais paulistas na linha de frente do combate ao coronavírus, disse a revista Fórum,  que ela mesma já se deparou, pessoalmente, com complicações de pacientes com Covid que podem estar relacionadas ao uso desses “kits” incentivados pelo governo.

 

“Em relação aos efeitos colaterais dos kits precoces eu tive dois pacientes com intoxicação hepática, intoxicação medicamentosa, inflamação no fígado decorrente do uso excessivo de medicações. Meu esposo passou pela mesma situação, temos muitos relatos de outros colegas e já acompanhei nas UTIs onde faço visita de infecção casos de problemas de toxidade pelo uso de medicamentos também”, relatou.

 

Tassiana explica que, essas medicações, como os vermífugos que incluem no “tratamento precoce”, se utilizadas em situações em que são indicadas, com doses habituais e isoladamente, sem outras doenças associadas, “é muito raro acontecer algum problema”. Mas ela faz o alerta de que todos esses remédios têm, sim, efeitos colaterais, e que a teoria de que os “kits Covid” são eficazes contra a doença tem estimulado a automedicação com dosagens perigosas.

 

No início deste mês, o ministro da Saúde, general da ativa, Eduardo Pazuello, deixou remessas de cloroquina e ivermetctina para tratamento precoce de doentes de covid-19, em Manaus, cidade que enfrenta o caos da pandemia. O ato contou com o apoio do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus. Mesmo protocolo também foi repassado a prefeitos do interior do Estado para serem implementado em suas cidades junto aos pacientes infectados.   

 

TRATECOV

Nesta quinta-feira (21/1), o Ministério da Saúde retirou do ar nesta quinta-feira (21/1) a plataforma do aplicativo TrateCov, lançado há uma semana pelo ministro Eduardo Pazuello, que recomendava o tratamento precoce com a prescrição de medicamentos, como a cloroquina e ivermectina, para pacientes com sintomas da covid-19. Os remédios não possuem eficácia comprovada contra a doença. Segundo a pasta, o site funcionava apenas como simulador, foi invadido e ativado indevidamente, “o que provocou a retirada do ar, que será momentânea”.

 

Apesar de informar que o site foi invadido e ativado indevidamente, a plataforma “tratecovbrasil.saude.gov.br” foi divulgada pelo próprio ministério nas notícias do site oficial da pasta.

COM INFORMAÇÕES DA REVISTA FÓRUM e Redação

 

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