Terça, 24 de novembro de 2020

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Atualizado em 19/11/2020

Projeto “Afeto em Folhas” chega a Parintins

Coordenado pela Profa. Dra. Christiane Siegmam, ação tem parceria da Teia de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta e da Articulação Parintins Cidadã.

Projeto “Afeto em Folhas” chega a Parintins Projeto “Afeto em Folhas” chega a Parintins (Fotos: Floriano Lins)

DEAMAZÔNIA PARINTINS, AM - Um evento com a participação reduzida de público por conta da Pandemia marcou, na tarde desta quarta-feira, 18, a entrega de símbolos do projeto “Afeto em Folhas”, coordenado pela Profa.  Dra. Christiane Siegmam, do Departamento de Terapia Ocupacional, da Universidade Federal do Paraná, a movimentos, instituições e pessoas que realizam algum tipo de ação em defesa da vida em razão dos impactos sociais, culturais e econômicos gerados pela pandemia imposta pelo Corona Vírus.

 

A chegada do “Afeto em Folhas” à terra do Boi Bumbá tem a parceria da Teia de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta e da Articulação Parintins Cidadã.

 

Os símbolos de acolhimento e solidariedade em favor da Vida foram entregues no “Barra, Cão” do “Coio das Utopias”, no Bairro Tonzinho Saunier.

 

Incentivo

 

No texto de apresentação do projeto, a coordenação do “Afeto em Folhas” lembra que “Vivemos dias difíceis, mas mesmo assim trabalhadores e trabalhadoras se dispõem às ações sociais, culturais e humanitárias voltadas a garantir os direitos sociais a categorias vulnerabilizadas e minimizar desigualdades sociais e violências agravadas pela pandemia e por problemas históricos do País”.

 

A coordenadora da TEIA, educadora popular Fátima Guedes, destacou a importância do ato para incentivar mais pessoas a continuarem suas ações em favor da Vida. “É uma ação extensionista, iniciada em abril de 2020, a partir da mobilização de acadêmicos e professores de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Paraná, a partir da produção artística em folhas secas bordadas com palavras de reconhecimento para homenagear, na primeira fase do projeto, articuladores e articuladoras locais nas comunidades, em todo o Brasil, que atuam na contramão dos impactos sociais, culturais e econômicos gerados pela pandemia”, explica a educadora.

 

Para Ela, “é uma forma simples, mas significativa de reconhecer e homenagear a solidária semeadura de coletivos e respectivos militantes parintinenses na insistente defesa e reinvenção do Bem Viver Universal”.

 

Entre os homenageados e homenageadas estão a Puxadora Espiritual (Rezadeira) Lia Nazaré Ribeiro de Oliveira, o artista plástico, professor do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, Jozinaldo Mattos, a Pedagoga, Militante Feminista Marinalva Brito de Azevedo, a Mãe de Santo do Terreiro São Jorge, Maria do Perpétuo Socorro Reis Batista, a Compositora popular e Artesã Weranilce de Azevedo Melo, a Assistente Social e militante feminista Maria Cristina Cruz de Mendonça, o Assessor da Defensoria Pública, Gabriel Alfaia de Souza, o Jornalista e educador popular Floriano Lins, a Profa. Dra. Milena Barroso da UFAM, as defensoras públicas Gabriela Ferreira Gonçalves e Enale de Castro Coutinho, defensor público Luiz Gustavo do Nascimento Cardoso e as enfermeiras Luene Costa Fernandes e Solane Souza.

 

O artista plástico e professor Jozinaldo Mattos manifestou sua gratidão à homenagem, lembrando sua história como arte-educador em projetos populares que já revelaram centenas de talentos de artistas oriundos das periferias e da área rural de Parintins. Ficou surpreso em receber uma folha seca com a palavra “Determinação” bordada por acadêmicos da Universidade Federal do Paraná.

 

“Carrego essa palavra comigo desde a minha infância e faço dela o sentido da minha vida. Sempre fui determinado a lutar por aquilo que preciso, assim aprendi a valorizar o que tenho”, relata Mattos, um dos artistas que diz remar contra a corrente por não atuar nos tradicionais grupos folclóricos da cidade nem no carnaval.

 

Com a palavra “Acreditar”, o assessor da Defensoria Pública, Gabriel Alfaia de Souza, disse ser um verdadeiro símbolo do trabalho que realiza junto aos defensores que atuam Parintins. “Atendemos diariamente pessoas que não acreditam na justiça, e a nossa ação na Defensoria é acreditar que, de alguma forma, por mais ínfima que seja, vão transformar as vidas de quem nos procura”, afirma Gabriel.

 

As folhas enviadas a Parintins foram envelopadas sem identificação e a escolha de cada uma foi feita aleatoriamente, o que gerou muitas surpresas aos homenageados e homenageadas, e falas de compromissos com os propósitos do Projeto. A educadora Fátima Guedes ilustrou o momento com a declamação da poesia Parábola da Folha Seca, do Livro “Ensaios de Rebeldia”, publicado em 2002.

 

 

Parábola da Folha Seca

 

Folha seca à deriva

Rola livre

Sob as carícias do vento impetuoso

 

Folha seca

Um dia vestiu-se de verde

Gozava da Paz num galho protetor

 

Saturou...

Caiu sem verde, sem atrativos

 

Re-significação...

 

A vida não morre

Perpetua-se além do tempo, do espaço

Além da dor...

 

O milagre da transformação

Transcende a fugaz compreensão

A vida renasce da morte

Morte que gera vida...

 

E a folha seca

Morrendo para esta vida

Fez-se vida diferente...

Perdeu a forma primeira e decidiu livremente

Servir de anônimo estrume

            Pra germinar novas vidas.

 

 

 

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