Domingo, 20 de setembro de 2020

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Atualizado em 13/09/2020

ROBÉRIO BRAGA - Receitas de 1900

ROBÉRIO BRAGA - Receitas de 1900 Robério Braga, presidente da Academia Amazonense de Letras

Ainda que não seja minha praia, como se diz no modo popular de falar, nesses dias de verão amazônico resolvi enveredar por um levantamento casual de remédios que foram utilizados largamente nos anos 1900, em Manaus, ao tempo em que as farmácias trabalhavam com manipulação conforme o receituário dos médicos e, em muitos casos,  com remédios cujas fórmulas haviam sido preparadas de forma corriqueira e eram vendidos na beira do balcão, cotidianamente.

 

Essa opção decorreu da angústia que estamos experimentando com a epidemia que nos colocou, a todos, trancafiados em casa – pelo menos os que nos sentimos responsáveis pela nossa vida e pela vida das outras pessoas -, e vamos levando o dia a dia à espera de um amanhã mais seguro para voltarmos à regularidade tradicional.

 

No cenário de uma cidade que exprimia progresso, grandes negócios, conhecia as libras esterlinas em circulação quase que regular, experimentava as modernidades do mundo europeu (água, luz, telefone, bonde, ópera, vida noturna abundante, etc.), dentre as várias farmácias e profissionais que atuavam com remédios manipulados, verifiquei que o dr. Jonathas de Freitas Pedrosa, baiano de nascimento e político no Amazonas, se dedicou a esse mister, e em larga escala, muitas vezes em conjunto com o farmacêutico Francelino de Araújo.

 

A Farmácia Central, localizada na Rua Theodureto Souto, n.º 2, era a principal “produtora”, por assim dizer, das receitas de Pedrosa e Francelino.  Era o caso das pílulas antiperiodicas para febres intermitentes ou sezões; as pílulas de Podophilina composta, contra a inflamação do fígado; o Xarope Peitoral com angico, para tudo que fosse das vias respiratórias; o Vinho Tônico Nutritivo de lacto fosfato de cal; e, o Vinho Reconstituinte para aumentar a energia.

 

Entretanto, as mais famosas eram as Pílulas Tônicas Restauradoras bastante utilizadas no Amazonas e no Pará e que serviam para a falta de apetite, opressão da respiração, cansaço, palpitações no coração, engorgitamentos do fígado e do baço, icterícia, fraqueza e dormência nas pernas, e todos os sintomas da cachexia palustre.

 

Havia muitos outros medicamentos bastante usados como a Solução de Antypirina para nevralgia e reumatismo; Água de Santa Luzia para todas as moléstias dos olhos; Vermífugo para lombrigas em crianças; Pílulas Emenagogas para regularização da menstruação; o Pó Anti-cancroso para moléstias sifilíticas; o Elixir de Salsa, para as moléstias de impureza do sangue; o Elixir Estomacal; Pomada para Impinges; Colírio Branco; Vinho de Jurubeba para fígado, baço e anemia; e o Vinho de Quinium como preservativo das febres, e dezenas de outros.

 

Eram remédios aplicados com regularidade e vendidos, conforme o anúncio do jornal, a grosso e a retalho, conforme o gosto do freguês e o receituário apresentado naquela esquina da salvação, precisamente da Rua Deodoro com a Rua Theodureto Souto, todos eles com preços módicos.

 

Bem sei que há alguns profissionais da saúde, altamente gabaritados, fazendo estudos, pesquisas e publicando contribuições importantes para a História da Medicina no Amazonas, quem sabe no modelo de Hermenegildo de Campos, Dr. Thomaz, Alfredo da Matta e Luiz Montenegro, e outros que se ocupam, no momento, de redescobrir a biografia dos médicos de antanho, como sucede com o respeitado Dr. Aristóteles Comte de Alencar Filho.

 

Talvez esse artigo possa servir de provocação, também, aos farmacêuticos, para que redescubram essas fórmulas e tenhamos melhores esclarecimentos sobre os tratamentos médicos utilizados no período da “belle époque”, sempre tão decantada.

*O autor é presidente da Academia Amazonense de Letras*      

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Magistrada foi eleita presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT11), para biênio 2020/2022

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