Sexta, 10 de julho de 2020

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Atualizado em 23/06/2020

'É prematuro falar em novo pico', avalia prefeito de Manaus, em entrevista

Arthur diz que não concordou com flexibilização, apesar de admitir queda significativa de mortes por coronavírus

'É prematuro falar em novo pico', avalia prefeito de Manaus, em entrevista Prefeito Arthur Virgílio Neto (Foto: Mário Oliveira - SEMCOM)

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, foi o convidado desta terça-feira (23/6), do quadro “Jogo do Poder”, da rede Meio Norte, que inclui canais de rádio, TV, portal de notícias e canais na internet do Estado do Piauí. O programa, apresentado por Amadeu Campos, contou com os jornalistas Efrein Ribeiro, que já atuou como correspondente da “Folha de S. Paulo”, em Manaus, Ari Carvalho e Sávia Barreto.

 

Arthur falou sobre a situação da cidade frente à pandemia e os estudos que apontam a possibilidade de um novo surto de Covid-19, por conta da abertura econômica pelo governo estadual.

 

“Não fui favorável à reabertura e minha fala não é científica. Atualmente, estamos passando por uma fase favorável, com a redução da letalidade e de registro dos casos. Eu só sei dizer que a reabertura foi desorganizada, com as etapas confundidas. Tem muita gente na rua e sinto que é prematuro dizer que vai ter um novo pico e também abrir, do jeito que se abriu”, afirmou o prefeito.

 

Segundo Arthur, os casos que estão sendo registrados atualmente na cidade têm apresentado quadros mais amenos que no início da pandemia e o número de mortes caiu significativamente.

 

Ele disse, ainda, que não se pode fazer, no Brasil, um isolamento social convincente, principalmente em função do comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou a pandemia e incentivou a ida das pessoas às ruas. Ele cita, também, que foram feitos poucos testes em Manaus para que se pudesse ter um quadro real da situação, culminando com a reabertura precipitada. “Eu considero que o melhor remédio para combater a Covid-19 é o isolamento social, o diagnóstico precoce e o tratamento imediato”, afirmou.

 

O prefeito foi questionado sobre a ajuda prestada ao município durante a pandemia, para fazer o diagnóstico e fazer o atendimento aos doentes. “O papel da prefeitura é fazer a Atenção Primária em Saúde, mas nós fomos além e entramos com o hospital de campanha, que deu bons resultados, com mais de 600 pessoas restabelecidas em, aproximadamente, dois meses. O governo federal auxiliou o governo do Estado que, com isso, saiu do sufoco que estava com o colapso dos hospitais”, disse o prefeito Arthur Neto.

 

“Ajuda específica a Manaus foi tipo – para não dizer que não falei de flores – para não dizer que não fez nada”, ironizou.

 

Amazônia

“O Brasil é um país que não respeita seus indígenas, é visto no exterior como um país que estimula garimpagem e agronegócios na Amazônia, o que é uma temeridade, com efeitos catastróficos para a floresta e para os nossos rios”, afirmou Virgílio.

 

“Minha ideia é trabalhar com dois doutores: o formado pela academia e o doutor índio, que conhece nossas florestas e biogenética como ninguém. Essa parceria é a chave para que possamos explorar nossas riquezas com lucidez e encontrar novos caminhos para a nossa economia”, continuou.

 

“Isso a gente não vê. O que se vê é o registro de mortes de índios por Covid-19. Ontem foram mais de 300. A morte de cada um deles é a morte de nossa história”, lamentou.

 

Arthur voltou a falar sobre a necessidade de fazer chegar ao Conselho da Amazônia, coordenado pelo vice-presidente general Hamilton Mourão, a voz de representantes da região e de cientistas que levem conhecimento real da situação. O prefeito de Manaus ainda aguarda resposta do Ministério do Meio Ambiente quanto a sua participação no conselho.

 

Eleição

Ainda na entrevista, Arthur Virgílio Neto, que cumpre seu segundo mandato consecutivo como prefeito de Manaus, voltou a dizer que é contra a prorrogação de mandatos. “Meu último dia como prefeito é dia 31 de dezembro de 2020 e não abro mão disso”, defendeu.

 

Ele ponderou, no entanto, que se houver mudança do calendário eleitoral, com o primeiro turno previsto para o dia 15 de novembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deveria rever os prazos de desincompatibilização de cargos públicos e o ajuste de todos os prazos do calendário à nova data.

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