Domingo, 12 de julho de 2020

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Atualizado em 06/06/2020

Pela primeira vez, Estadão chama Bolsonaro de fascista: ‘engodo, embuste e ignominioso’

Em editorial, jornal diz que Bolsonaro usa métodos imorais e torpes para mentir para o povo brasileiro

Pela primeira vez, Estadão chama Bolsonaro de fascista: ‘engodo, embuste e ignominioso’ Pela primeira vez, Estadão chama Bolsonaro de fascista: ‘engodo, embuste e ignominioso’

SÃO PAULO, SP - Num duro Editorial, o jornal Estado de S. Paulo, deste sábado (06/6), seu titubear admite, pela primeira vez, que o presidente Jair Bolsonaro é um fascista, que age com métodos autoritários, imorais e torpes e mente, descaradamente, para o povo brasileiro.

 

O Estadão compara ‘o ensaio da mentira’, da  filósofa alemã Hannah Arendt, aos atos de Bolsonaro e diz que o livro é como ‘se estivesse sido escrito em suas falas’.

 

‘Procurando associar à violência os atos de protesto contra seu governo, o presidente deixou claro que os atos de domingo não serão travados entre adversários políticos, mas entre inimigos – entre “o pessoal de verde e amarelo, que é patriota”, e “idiotas, marginais, viciados e terroristas”, é a prática fascista, diz trecho do editorial, chamando o presidente de 'engodo, embuste'.

 

O editorial encerra dizendo que o presidente é trapaceador, tenta enganar o povo e desonra o cargo e causa pavor, ao chamá-lo de 'ignominioso', [mesma prática usada pelos nazistas, quando exterminaram 6 milhões de judeus].

 

Em 2018, o mesmo Estadão disse que era uma uma escolha muito difícil entre Fernando Haddad e Bolsonaro. LEIA parte do EDITORIAL. 

  

Procurando associar à violência os atos de protesto contra seu governo, o presidente deixou claro que os atos de domingo não serão travados entre adversários políticos, mas entre inimigos – entre “o pessoal de verde e amarelo, que é patriota”, e “idiotas, marginais, viciados e terroristas”. Segundo Bolsonaro, “este pessoal tem costumes que não condizem com a maioria da sociedade brasileira”. Além de desqualificar opositores no plano moral, que é uma conhecida prática fascista, Bolsonaro os acusou de serem inimigos da liberdade. “Mais importante que a sua vida é a sua liberdade. Esse pessoal não tem nada para oferecer para você. Se você pegar cem desse aí (sic), a maioria é estudante. Se você pegar e aplicar a prova do Enem neles, ninguém tira nota 5. São idiotas que não servem para nada”, afirmou. 

 

Como se não bastasse, o presidente ainda pediu aos pais que impeçam os filhos de participar dos atos contrários ao seu governo. “Quem for possível exercer o controle em cima dos filhos (sic), exerça para não deixar o filho participar. Alguns vão dizer que eu estou cerceando a liberdade. Isso não é liberdade de expressão, o cara vai para o quebra-quebra. E vai ter muito garoto desse usado como massa de manobra, idiota útil”, disse Bolsonaro, procurando desde logo responsabilizar seus opositores por qualquer ato violento.

Horas depois, anunciou que em breve concederá autorização para importação, sem imposto, de armas de uso individual. Na ocasião, afirmou que “a boa medida (sic) vai ajudar todo o pessoal do artigo 142 da nossa Constituição”, referindo-se talvez aos membros das Forças Armadas. Além de definir as atividades militares, esse artigo se limita a classificar as Forças Armadas como “instituições que, sob a autoridade suprema do presidente da República, destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa destes, da lei e da ordem”. Mas, numa interpretação tortuosa e absurda desse texto, Bolsonaro acredita que este lhe confere a prerrogativa de convocá-las quando bem entender e para o que bem quiser. Mesmo advertido para o erro que comete, insiste em repeti-lo. 

 

Em seu ensaio sobre a mentira na política, Hannah Arendt lembra que o engodo e o embuste costumam ser eficientes apenas quando o mentiroso tem ideia clara da verdade do que tenta esconder. Bolsonaro sabe o que quer. Mas em momento algum consegue esconder seus anseios ignominiosos.

 

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