Sexta, 05 de junho de 2020

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Atualizado em 21/05/2020

Mandetta diz que Bolsonaro quis alterar a bula da cloroquina na Anvisa 

"A ideia [do presidente] era alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando indicação para Covid-19", disse o ex-ministro da Saúde

Mandetta diz que Bolsonaro quis alterar a bula da cloroquina na Anvisa  Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta disse que o presidente Bolsonaro quis alterar bula da cloroquina (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

 BRASÍLIA - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que Jair Bolsonaro tentou obrigá-lo a mudar a bula da cloroquina para o medicamento ser indicado ao tratamento de pacientes diagnosticados com coronavírus, mesmo sem comprovação científica. 

 

"Me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista. [...] E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para Covid”, afirmou Mandetta. 

 

A cloroquina ganhou destaque no noticiário nacional, após ser defendida por Bolsonaro. A Apsen é a empresa farmacêutica responsável pela produção do remédio composto por hidroxicloroquina tem como dono um eleitor bolsonarista, o empresário Renato Spallicci.

 

A denúncia de Mandetta aumenta ainda mais a pressão em cima de Bolsonaro. Ele já descumpriu recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), ao comparecer a manifestações de rua, enquanto a entidade pede que as pessoas evitem aglomerações para diminuir a propagação do coronavírus. 

 

Na tentativa de atender ao lobby empresarial, Bolsonaro também pediu a reabertura de algumas atividades econômicas. Já Mandetta deixou o cargo por discordâncias sobre o gerenciamento da crise da Covid-19. Diferentemente do seu ex-chefe, o ex-ministro defendia o isolamento social como uma das principais medidas de combate à doença. 

 

De acordo com a plataforma Worldometers, que disponibiliza o ranking mundial dos casos da Covid-19, o Brasil ocupa a terceira posição, com 293 mil confirmações, atrás dos Estados Unidos (1,5 milhão) e da Rússia (317 mil). Os brasileiros também ficam em sexto lugar no ranking de mortes provocadas pela doença (18,8 mil). 

 

Em nível global são pelo menos 5,1 milhões de infectados e 330 mil mortos pela doença.

 

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