Sexta, 05 de junho de 2020

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Atualizado em 19/05/2020

CARLOS SANTIAGO - 500 dias de Governo Bolsonaro

CARLOS SANTIAGO - 500 dias de Governo Bolsonaro Carlos Santiago

Três grandes forças de apelo popular deram sustentação eleitoral ao presidente Jair Bolsonaro nas eleições gerais de 2018: a moralização da administração pública, com forte apelo ao combate à corrupção, ao antipetismo e de parceria e apoio à operação Lava-Jato; a defesa do liberalismo econômico, com a diminuição da participação do Estado na economia, com a privatização de empresas estatais e a priorização de parcerias com setores da classe empresarial; a pauta dos costumes que envolve a defesa do modelo de família tradicional, medidas contra o debate sobre gênero nas escolas, contra bandeiras de lutas da comunidade LGBT e dos quilombolas e uma aliança com religiosos conservadores. 

 

Depois de eleito, o presidente Bolsonaro trouxe para compor o seu governo o juiz Sérgio Moro, uma espécie de representante da moralização da gestão pública do País. Bolsonaro nomeou o economista Paulo Guedes para ser o responsável pela implementação da agenda da economia. Não atuou para o avanço da pauta dos costumes, preferiu ajudar as igrejas com benefícios fiscais e promover críticas à decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, que tratou a homofobia como crimes de racismo. 

 

Agora, com 500 dias de governo Bolsonaro e com a pandemia do novo coronavírus, a proposta liberal da economia foi enterrada. O Brasil precisa de um Estado forte e atuante na economia para promover investimento econômico, além de socorrer financeiramente os Estados e os municípios. A moralização da administração pública não foi a tônica do governo. Houve inclusive o enfraquecimento de órgãos de controle e de fiscalização. Para completar esse quadro, a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça revelou interesses políticos de Bolsonaro sobre as investigações da Polícia Federal e possíveis crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente. Restou ao Governo o apoio de grupos radicais que defendem a pauta dos costumes e dos que negam os valores democráticos. 

 

O governo perdeu popularidade. Soma-se a falta de sustentação política no Congresso Nacional, amargou diversas derrotas consecutivas no Supremo Tribunal Federal – STF. Para aumentar a crise governamental, há inúmeros pedidos de impeachment, fazendo com que Bolsonaro busque sua salvação política junto a personagens como o ex-deputado Roberto Jefferson, Carlos Marun e demais representantes da pior estirpe que há no Congresso Nacional, selando um casamento com setores da velha política, que oferta cargos públicos e verbas em troca de apoio político.

 

Esse cenário econômico, político e moral, mais o período pandêmico, criaram instabilidades e incertezas sobre o futuro do Brasil. Há estudos indicando que o País passará por uma longa e histórica retração econômica, com crises institucionais envolvendo os Poderes Executivo, Legislativo e o Judiciário, além do aumento do descrédito dos políticos e dos partidos. 

 

É preciso um pacto de governança que envolva também os governadores para o Brasil superar suas crises, os descréditos das instituições e a falta de esperança do povo. Um pacto de governança só se constrói com diálogos, tolerância, atitudes construtivas e movimentos solidários. Posturas que até o presente momento o governo Bolsonaro não demonstrou.

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

Sobe Catracas

RODRIGO FERNANDES, escritor paraense

Natural de Santarém, venceu concurso da Academia Paraense de Letras e Artes e obra dele ficou em 1º lugar na categoria 'Melhor Livro'

Desce Catracas

ALFREDO MENEZES, ex-superintendente da Suframa

Foi demitido após 1 ano e 3 meses à frente da autarquia, que enfrenta a por crise da história