Sábado, 06 de junho de 2020

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Atualizado em 28/04/2020

CARLOS SANTIAGO - Heróis e vilões

CARLOS SANTIAGO  - Heróis e vilões

Pai, o que é um herói? Será que posso ser herói sem matar ou odiar alguém, ou mesmo sem entrar numa guerra? Esses questionamentos eu li num pequeno texto chamado “O herói”, e até hoje ainda guardo as impressões que essas indagações causaram em meu intelecto. Jamais esqueci o impacto delas no meu espírito.

 

Essas perguntas, hodiernamente, ainda persistem. Responda-me: o que é um herói? Tem herói? De que substância ele se constitui? Como identificá-lo? Quem é o herói? Pense... Olhe no horizonte... Agora, diminua o ângulo de visão. Você consegue reconhecê-lo? Ele tem gênero, religião, grau de escolaridade? Qual a sua cor de pele? Sente dor? Tem sonhos? Filhos, família? Ele chora ou sangra? É indestrutível ou imortal? Ele morre? Quais são os seus valores mais sagrados? Tem ou teve decepções na vida? São seres humanos, com problemas de humanos, vivendo uma vida de humanos? Tem inimigos? Se tem, quem são eles? Você consegue identificá-los?

 

Enxergue ao longe. Consegue perceber as suas aparências, os seus jogos de armadilhas, suas conversas ao pé do ouvido, buscando confundir, amedrontar, ofuscar o que parece mais certo; desvirtuar o que direciona e resgata a vida e a esperança; fazendo um discurso impregnado de uma linguagem sem nexo e de fundo irracional, buscando destruir todos os valores mais caros à humanidade; utilizando-se de figuras de linguagem totalmente fora de contexto na tentativa de obnubilar os espíritos menos atentos e menos desapercebidos. Conseguiu? Agora, tente não sucumbir aos seus delírios. Não é fácil... O que eles dizem aparentemente são bastante lógicos.

 

No meio da batalha está o cidadão comum: eu e você. Às vezes heróis... Outras vezes vilão. Como assim? Agora estou confuso, você pode pensar. Depois disso, indagar: quer dizer que em mim reside o herói e o vilão, simultaneamente? Somos protagonistas e antagonistas desse longo e complexo processo histórico que se chama vida? Que pavor! Além de artista, convivo com meu espírito fora da lei? Tenho uma oração que funciona como um campo de batalha entre o bem e o mal? Ainda não acredito! Sou ao mesmo tempo, mocinho e bandido? Mas isso é o fim do mundo... não é? Depois de pensar um pouco... de contar até dez... de respirar fundo e de acalmar as suas emoções, você dirá: as dubiedades da vida, as confusões emocionais de vez em quando, uma irracionalidade, um ódio, uma mágoa, enfim, uma falta de destempero nas ações, não são exatamente esses atos humanos que caracterizam nossa humanidade? E a resposta vem como um turbilhão de emoções, como um dedo em riste dizendo: você tá certo.

 

Enfim, um herói se define por ações positivas que levam em consideração o seu bem-estar e o dos seus semelhantes. Procura modular seus atos, seus desejos, sua forma de pensar, seu saber, suas tentações e valores, suas paixões, ata uma corda entre o egoísmo e o altruísmo para não sucumbir diante das vicissitudes mundanas e da vida; não se comporta como um deus, nem tampouco como um ser diabólico; não cede aos impulsos irascíveis e sub-humanos, seja ele individual ou coletivo. Enfim, ser herói ou vilão é uma escolha que cabe somente a nós.


* Sociólogo, Analista Político e Advogado.

Sobe Catracas

RODRIGO FERNANDES, escritor paraense

Natural de Santarém, venceu concurso da Academia Paraense de Letras e Artes e obra dele ficou em 1º lugar na categoria 'Melhor Livro'

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ALFREDO MENEZES, ex-superintendente da Suframa

Foi demitido após 1 ano e 3 meses à frente da autarquia, que enfrenta a por crise da história