Sábado, 06 de junho de 2020

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Atualizado em 26/04/2020

ALESSANDRA PEREIRA - Os riscos de doenças mentais entre os profissionais da saúde em meio à pandemia

ALESSANDRA PEREIRA - Os riscos de doenças mentais entre os profissionais da saúde em meio à pandemia Dra. Alessandra Pereira Médica Psiquiatra

Os profissionais da saúde estão muito mais expostos aos riscos de contaminação do que qualquer outra categoria profissional, pois, mesmo com o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), eles acabam se envolvendo diretamente com inúmeras pessoas contaminadas pelo Coronavírus. 

 

"Muitas vezes, o principal medo do profissional de saúde nem é de contrair o vírus, mas sim de levá-lo para o ambiente familiar colocando em risco pais, filhos e demais parentes. Ou seja, é o receio de prejudicar de alguma forma as pessoas que amam", relata a médica psiquiatra Alessandra Pereira.

 

Como resultado desse conflito, a psiquiatra afirma que são comuns, entre a classe médica, por exemplo, os sentimentos de tristeza e impotência. “O profissional se sente desamparado pelo sistema caótico e chega ao desespero por ter que fazer escolhas difíceis diante da falta de estrutura adequada. Neste contexto, surgem sintomas depressivos, revolta e até crises de ansiedade”, detalha Alessandra.

 

A psiquiatra destaca que é muito forte a cobrança sobre o médico para que ele apresente soluções sem ter o suporte necessário. “Além disso, também há a autocobrança para ele atender a uma demanda que em muito supera a capacidade dos técnicos disponíveis na rede pública de urgência e emergência”, reforça.

 

A deficiência de recursos humanos na saúde do Amazonas é outro agravante. Manaus já está com quase 20% do contingente de profissionais da saúde afastados por motivo de adoecimento físico ou emocional. “O profissional com adoecimento psíquico não conseguirá manter uma boa produtividade, muitas vezes tendo que se afastar da sua atividade laboral. Em qualquer uma das circunstâncias, o prejuízo é imensurável. Tanto no plano pessoal, pois o profissional se sente incompetente e frustrado, quanto no plano coletivo, quando perde-se mais um colega da linha de frente”, justifica Alessandra.

 

REAÇÕES

Alessandra Pereira diz que há diversos comportamentos nos grupos sociais de médicos. Desde os alarmistas e cheios de reclamações, para os quais nada está bom e nada presta, até uma situação mais amena de colegas que compreendem a necessidade de se manter em paz. No entanto, a neurose é contagiante também. Segundo a médica, pode contaminar toda uma equipe, colocando sua autoconfiança na berlinda.

 

“Um luto é impactante para qualquer indivíduo. No entanto, o luto de colegas médicos, a Intubação OroTraqueal, o aumento de colegas infectados por falta de EPI adequado é muito mais impactante, porque não ocorre com uma pessoa que você conhece, ocorre com várias”, declara.

 

Ainda sobre a questão do “luto”, a psiquiatra pondera que essa fase pode ser seguida de reações que trazem prejuízos em diversas esferas do funcionamento emocional, social e cognitivo, afetando, assim, a atividade profissional sobremaneira. “O posicionamento adequado das instituições, valorizando as ações corporativas para  o manejo do estresse, ajudariam muito a reduzir esse impacto. É importante incentivar o suporte social entre os colegas de trabalho”, afirma.

 

Alessandra Pereira sugere algumas ações de suporte social: 

1. Incentivar as chefias a ouvirem as sugestões dos profissionais para aprimorar o ambiente de trabalho;

 

2. O profissional deve exercitar habilidades sociais e buscar interação com outras pessoas, como cortesia, formas delicadas de conversação, usar locuções como por favor, com licença, desculpe e obrigada;

 

3. Deve ter em mente o significado de GRATIDÃO e escrever diariamente sobre coisas boas em sua vida; 


 
4. Fazer pausas adequadas de repouso e alternar lugares de baixo e alto risco e volume de atendimento;

 

5. Tirar um tempo especial para si, para o casal e para curtir a família;

 

De acordo com a psiquiatra, além de tudo isso, qualquer local deveria dispor de acolhimento psicológico 24 horas para os profissionais da linha de frente. Afinal, sem saúde mental, não há saúde.

 

*A autora é médica psiquiatra de Manaus/AM*

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