Terça, 07 de julho de 2020

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Atualizado em 20/04/2020

Há 30 anos, Zico se despedia do Maracanã num duelo do Fla com combinado de craques

Em 1990, quase 100 mil torcedores rubro negros foram ao Maracanã se despedir do maior ídolo da história do time

Há 30 anos, Zico se despedia do Maracanã num duelo do Fla com combinado de craques Há 30 anos, Zico se despedia do Maracanã num duelo do Fla com combinado de craques ( reprodução)

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - O site Globoesporte trouxe nesta segunda-feira (20/04) uma reportagem que lembra a despedida do maior ídolo da história do Flamengo: Zico.

 

O galinho fez seu último jogo como profissional, num clássico contra o Fluminense com vitória por 5 a 2, em 1989.

 

O adeus do camisa 10 foi no dia 06 de fevereiro de 1990. Quase 100 mil torcedores rubro negros lotaram o Maracanã, para se despedir do supercraque.

 

O Flamengo jogou nesta noite contra um combinado de jogadores internacionais. Assista o vídeo aqui Há 30 anos, Zico se despedia do Maracanã num duelo do Fla com combinado de craques

 

Segundo o GloboEsporte, Zico entrou no Maraca, com as luzes apagadas, em meio a um canhão de luz e um show de raios laser, festejado com 40 mil lenços brancos da arquibancada.

 

Na despedida Armando Nogueira escreveu esta crônica.

 

A última noite de Zico

 

A bola é uma flor que nasce nos pés de Zico com cheiro de gol

 

Maracanã, enfeita de bandeiras tuas arquibancadas que hoje é dia de festa no futebol. Encomenda um céu repleto de estrelas. Convida a lua (de preferência, a lua cheia). Veste roupa de domingo nos teus gandulas. Põe pilha nova no radinho do geraldino. E, por favor, não esquece de regar a grama (de preferência, com água-de-cheiro).

 

Avisa à multidão que ninguém pode faltar. É despedida do Zico e estou sabendo, de fonte limpa, que, hoje à noite, ele vai repartir conosco a bela coleção de gols que fez nos seus vinte anos de Maracanã. Eu até já escolhi o meu: quero aquela obra-prima, o segundo gol do Brasil contra o Paraguai nas Eliminatórias do Mundial de 1986. Lembro-me como se fosse hoje. Zico recebe de Leandro um passe de meia distância já na linha média dos paraguaios. Um efeito imprevisto retarda a bola uma fração de segundo. Zico vai passar batido – pensei. Pois sim. Sem a mais leve hesitação, sem sequer baixar os olhos, ele cata a bola lá atrás com o peito do pé, dá dois passos e, na mesma cadência, acerta o canto esquerdo do goleiro paraguaio.

 

Passei uma semana vendo e revendo no teipe aquele instante mágico de um corpo em harmonioso movimento com o tempo e com o espaço. E a bola, coladinha no pé, parecia amarrada no cadarço da chuteira. Um gol de enciclopédia. Se o amável leitor aceita uma sugestão, dou-lhe esta: escolha um dos gols que Zico fez graças à sua arte singular de chutar bola parada.

 

Chutar a bola de falta à entrada da área é um talento que Deus lhe deu mas não de mão beijada, como imaginam os desavisados. Zico trabalhou seriamente, anos e anos, para alcançar a perfeição dos efeitos sublimes. À tardinha, quando terminava o treino, ele costumava ficar sozinho no campo do Flamengo – ele, uma barreira artificial, uma bola e uma camisa caprichosamente pendurada no canto superior das traves. A camisa era o alvo.

 

Zico passava horas sem fim, chutando rente à barreira e derrubando a camisa lá de cima das traves. Chegava o domingo, na cobrança da falta, a bola já estava cansada de saber onde ela tinha que entrar. Não tenho dúvida em dizer que tardará muito até que apareça alguém que domine como Zico o dom de cobrar falta ali da meia-lua.

 

Celebremos, querido torcedor, a última noite do maior artilheiro da história do Maracanã. Será uma despedida de apertar o coração. Se te der vontade de chorar, chora. Chora sem procurar esconder a pureza da tua emoção. Basta uma lágrima de amor para imortalizar o futebol de um supercraque.

 

Cantemos, Maracanã, teu filho ilustre, relembrando em comunhão os dribles mais vistosos, os passes mais ditosos, os gols mais luminosos desse fidalgo dos estádios que tem uma vida cheia de multidões.

 

Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés.

Armando Nogueira

     

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