Sábado, 06 de junho de 2020

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Atualizado em 14/04/2020

CARLOS SANTIAGO - Dias piores virão

CARLOS SANTIAGO - Dias piores virão Carlos Santiago (Divulgação)

Não, não, não seremos melhores, nem o mundo será mais fraterno depois da pandemia do coronavírus. A humanidade sobreviverá. Milhares morrerão, bilhões de pessoas confinadas ou condicionadas ao isolamento social, aumento da interação entre pessoas via aparelhos digitais. A ciência e a fé buscam a cura do vírus, a notícia verdadeira ganha espaço, incalculáveis gastos públicos para conter os prejuízos financeiros e humanos. Porém, continuaremos sendo uma civilização da antropolatria, da exclusão social e econômica, do egoísmo, da xenofobia e de governados comandados por péssimos políticos, e sem consciência coletiva que eleve a importância do meio ambiente.

 

A antropolatria (adoração do ser humano como Deus) continuará movendo os indivíduos, os governos e a cultura humana. Uma arrogância da nossa espécie que nada é igual ou superior a ela, pelo contrário, tudo é nada diante da espécie humana.

 

Premissa que despreza os fenômenos básicos da natureza e até as tradições religiosas em que colocam o homem como imagem e semelhança do Pai de Jesus Cristo. Não, não, a antropolatria nega tudo aquilo que não vê no espelho. Nem o coronavírus, o inimigo invisível, é o suficiente para mudar isso.

 

As organizações sociais criadas ao longo da história não serão substituídas. O modelo econômico permanecerá definindo padrão de moda, de lazer, de comida, de beleza, de fé e de trabalho. Seremos tão somente povos consumistas e produtores de bens para saciar a fome e acumular riquezas que não levaremos ao caixão. O trabalho permanecerá uma “prisão” de almas cansadas correndo para sobreviver e expor vaidades num mundo sem fraternidades.       

 

A exclusão social será ainda mais aguda. Antes da pandemia, o atual sistema econômico já tinha lançado milhões na pobreza e no desemprego. Há tendência de a pobreza ganhar novos números, rostos e vidas deixarão de existir. As concentrações de renda e de riqueza foram, são, e serão ainda mais a mola propulsora do modelo econômico dos que sobreviverem. Não há expectativas de mudanças. A manutenção do status quo é eminente.        

   

Com a retração econômica e a expansão da pobreza e do desemprego, a xenofobia cresceu nos Estados Unidos da América e na Europa, e, crescerá  ainda mais pós-pandemia. Políticas protecionistas avançarão, assim como os preconceitos contra indianos, africanos e asiáticos. O mundo erguerá novos muros de ódio e de intolerância. Não vamos esperar uma união de povos e de governos.          

 

O meio ambiente não terá o cuidado necessário. Nem haverá o entendimento de que num mundo global qualquer impacto contra ele, mesmo que aconteça num lugar bem distante do centro das decisões do globo, todos serão impactados. E que devemos zelar pela saúde do planeta, pois não existe uma dissociação entre o homem e natureza. Uma pandemia é uma força da natureza que revela o quanto o ser humano depende um dos outros e do meio ambiente, mas também que a nossa casa comum precisa de cuidados.     

 

A nossa vida é, e, continuará sendo governada por péssimos governantes, independentemente das velhas ideologias políticas, sejam elas, fascistas, populistas, antidemocráticas, corruptas ou de falsas religiosidades. Esse tempo ou a nossa Era nega lideranças estadistas, humanistas e defensores de direitos humanos. Preferem gastos imensuráveis com exércitos e armas de destruições conduzidas por xenofobias e por quem quer mais Poder.     

 

Dias piores virão, mas nem tudo dura para sempre. É tempo de refletir sobre as nossas escolhas e o nosso futuro, talvez isso seja a grande energia dos que pensam num mundo melhor.

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

Sobe Catracas

RODRIGO FERNANDES, escritor paraense

Natural de Santarém, venceu concurso da Academia Paraense de Letras e Artes e obra dele ficou em 1º lugar na categoria 'Melhor Livro'

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ALFREDO MENEZES, ex-superintendente da Suframa

Foi demitido após 1 ano e 3 meses à frente da autarquia, que enfrenta a por crise da história