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Atualizado em 26/03/2020

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO - Venceremos com bom senso

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO - Venceremos com bom senso

Pandemia se enfrenta com responsabilidade e competência na condução dos trabalhos de combate, recursos alocados e corretamente aplicados para minimizar o problema e reduzir os seus estragos, bom senso e disciplina por parte da população, bem como serenidade, mesmo sendo um “produto” difícil de ser encontrado ultimamente.

 

Conflitos criam ambiente fértil para o surgimento de ideias absurdas, dentre elas a suspensão de contratos de trabalho e dos salários na iniciativa privada, e redução salarial e da jornada de trabalho para os servidores públicos.

 

Ora! Antes de pensarem em “assaltar” os trabalhadores, deveriam pensar em taxar as grandes fortunas e acabar com o milionário fundo partidário, isso num primeiro plano. Vejo políticos preocupados com a realização das eleições, sem demonstrar preocupação com pessoas que estão morrendo ou sofrendo. Eis aí uma grande possibilidade que se abre para a realização de eleições gerais no país, economizando o que se gasta de dois em dois anos.

 

Diante disso, o Fonacate veio a público repudiar matérias, notícias e políticos que levantam a possibilidade de o Congresso Nacional e de integrantes do Governo estarem debatendo uma suposta redução salarial e de jornada dos servidores públicos, numa medida que configuraria um profundo contrassenso social e econômico, além de um ataque frontal aos responsáveis pelos serviços públicos de combate à pandemia do coronavírus – como os profissionais de saúde, segurança pública, segurança sanitária, controle de fronteiras, entre outros – e à própria Constituição.

 

Tal medida seria única no mundo e é uma aberração em estado de calamidade pública reduzir a oferta de serviços públicos. De um ponto de vista econômico, num momento de queda da atividade como o atual, cabe ao Estado o fomento da atividade econômica, e não o contrário.

 

Cortar salários de servidores acentuaria a contração da massa salarial dos trabalhadores prejudicando ainda mais a sustentação da atividade de profissionais liberais e de empresas prestadoras de serviço, as quais seriam diretamente atingidas no caso. A mesma lógica de defesa pelo governo da renda e do emprego pode e precisa ser aplicada no caso dos trabalhadores da iniciativa privada.

 

Dessa forma, os trabalhadores brasileiros, incluindo os servidores públicos, não podem ser afligidos por medidas que reforçam a calamidade pública além de impulsionar a recessão, divergindo dos encaminhamentos dados por países que têm enfrentado os mesmos problemas.

 

Em artigo intitulado “Cada um dá o que tem”, Charles Alcântara, presidente da Fenafisco, alerta: O Brasil possui 206 bilionários que, juntos, acumulam uma fortuna de mais de R$ 1,2 trilhão. Esses 206 bilionários pagam proporcionalmente menos impostos que a classe média e os pobres. Se o país criasse um imposto de apenas 3% por ano sobre a fortuna de R$ 1,2 trilhão, seria possível arrecadar R$ 36 bilhões anuais, valor superior ao orçamento de um ano de todo o programa Bolsa-Família. A soma de toda a riqueza das famílias brasileiras é de cerca de R$ 16 trilhões de reais, estando a quase metade de toda essa riqueza – ou seja, R$ 8 trilhões – nas mãos de apenas 1% das famílias.

 

As redes sociais também contribuem significativamente para esse acirramento de ânimo, com cada um abarrotando os amigos e os grupos com mensagens que estimulam a guerra e o conflito. Muitas mensagens com a grafia “encaminhada” sendo postadas. Isso significa não ser criação pessoal, e sim coisas que percorrem o Brasil, e que são replicadas  tal como chegam por pessoas ditas esclarecidas, que deveriam zelar pelos colegas e amigos evitando a proliferação de veneno e desinformação.

*O autor é auditor fiscal do Amazonas*

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