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Atualizado em 06/03/2020

ANDRÉ SEFFAIR - Meu povo te chama, Machifaro te espera

ANDRÉ SEFFAIR - Meu povo te chama, Machifaro te espera André Seffair (Foto: Divulgação)

Apesar de cinco séculos de exploração, ainda resistem neste Grande Estado do Amazonas 63 nações originárias da floresta, as quais faço questão de nominar: povo Apurinã, povo Arapaso, povo Banawá, povo Baniwa, povo Barasana, povo Bará, povo Baré, povo Borari, povo Deni, povo Desana, povo Dow, povo Hixkaryana, povo Hupda, povo Jamamadi, povo Jarawara, povo Jiahui, povo Juma, povo Kaixana, povo Kambeba, povo Kanamari, povo Karapanã povo Katuenayana, povo Katukina do Rio Biá, povo Kaxarari, povo Kaxuyana, povo Kokama, povo Koripako, povo Korubo, povo Kotiria, povo Kubeo, povo Kulina, povo Kulina-Pano, povo Makuna, povo Maraguá, povo Marubo, povo Matis, povo Matsés, povo Miranha, povo Mirity-Tapuya, povo Munduruku, povo Mura, povo Nadöb, povo Parintintim, povo Paumari, povo Pira-tapuya, povo Pirahã, povo Sateré-Mawé, povo Siriano, povo Tariana, povo Tenharim, povo Ticuna, povo Torá, povo Tsohom-Dyapa, povo Tukano, povo Tunayana, povo Tuyuka, povo Waimiri-Atroari, povo Waiwai, povo Warekena, povo Witoto, povo Yanomami, povo Yuhupdeh e povo Zuruahã.

 

Estas nações já habitavam este território antes mesmo da chegada dos primeiros europeus, entretanto por sua fragmentação e rivalidades histórico-geográficas jamais alcançaram unidade para a consolidação de movimentos estratégicos tendentes à construção de políticas públicas de afirmação. No Brasil a discriminação contra negros é corretamente combatida, porém a discriminação contra os povos da Floresta é absurdamente estimulada.

 

A artificialidade de alguns movimentos no Estado do Amazonas e a falta de unidade de movimentos em benefício dos povos da floresta é tamanha, que na capital do Estado do Amazonas existe um feriado para a consciência negra, mas nada existe em igual proporção para homenagem aos povos originários desta Terra. Na ausência de políticas de afirmação, as culturas destas dezenas de nações perdem valor diante do "nosso mundo", adolescentes de diversas populações tem adotado sistematicamente a prática do suicídio e valores históricos de nossos ancestrais são simplesmente perdidos, à sombra de um mundo que absolutamente não os reconhece. Os legítimos movimentos de afirmação lançaram sombras sobre as reais demandas dos povos da Floresta.

 

Somos uma unidade federativa territorialmente gigante, porém pouco relevante em termos populacionais. À esteira de nossa insignificância política para o restante do Brasil, jamais conseguimos explicar a relevância de nossas nações para este país, tão carente de cultura e informação. Nossas políticas de cotas da Universidade do Estado do Amazonas, que reconhecem com exatidão estas demandas, está prestes a ser julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que significará mais retrocesso para as políticas de nossos povos. Jamais se cogitaria igual desmazelo em relação a políticas de cotas baseadas na cor da pele. Neste verdadeiro eclipse provocado por tantos movimentos políticos de afirmação, nossas nações estão morrendo enquanto o Brasil permanece nos "xingando" de "índios" e nós nos sentimos "xingados", como se esta notável qualidade fosse, na verdade, um pejorativo.

 

Sequer índios somos, o termo é absurdamente inapropriado, semanticamente incorreto e historicamente não explica a exata dimensão daquilo que de fato somos. Somos uma diversidade de nações ricas em história e prodigiosas em culturas, das quais tenho orgulho de fazer parte, porém absolutamente ignoradas pelo restante do Brasil.

 

No Amazonas, não precisamos valorizar ainda mais outros legítimos movimentos de afirmação pois estes têm sufocado as necessidades históricas das nossas populações, não representam nossas nações, nem resolvem nossos problemas. Precisamos urgentemente conceber, reconhecer e valorizar políticas de afirmação para os povos originários da floresta, como a que nossa Universidade Estadual o fez, mas o Brasil não concorda.

 

Que tudo isto, sobretudo os nomes de cada uma de nossas nações, fique registrado para que o Brasil não insista em ignorar a nossa existência. Aos que foram os donos dessa terra, antigos donos das lendas, minha mais absoluta reverência. Machifaro nos espera!

O autor é promotor de Justiça, mestre em Direitos Humanos pela UEA e doutorando em Ciências Criminais pela universidade de Coimbra* 

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