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Atualizado em 18/02/2020

CARLOS SANTIAGO # Partidos políticos, tão iguais

CARLOS SANTIAGO # Partidos políticos, tão iguais Carlos Santiago

A Constituição Brasileira de 1988 determina que a filiação partidária é uma das condições da(o) cidadã(o) que queira disputar as eleições, elevando assim a importância dos partidos políticos nos processos de escolhas dos governantes e representes do País. O desafio agora está na busca da renovação de lideranças e de mudanças nas estruturas partidárias. Não é uma tarefa fácil.

 

O Brasil tem uma tradição elitista, excludente, autoritária, patrimonialista e patriarcal que está presente em todas as instituições do Estado, bem como na sociedade civil e nas suas entidades. Os partidos políticos são mais um exemplo desta prática que não contribui para o aprimoramento da democracia representativa e nem para o bem-estar coletivo.

 

A maioria dos partidos é comandada por um pequeno grupo de negocistas ou grupo familiar, objetivando fazer negócios com o Estado, reproduzindo-se como mandatários de partidos políticos e de chefe de poder estatal, independentemente dos partidos serem grandes ou pequenos, ou de pertencerem à Esquerda ou à Direita, os modi operandi são similares. Operações recentes da polícia federal apresentaram inúmeros exemplos de tais métodos.

 

Os jovens, na maioria das vezes, que são “recrutados” pelos partidos, que não sejam filhos (as) ou mulher dos donos das agremiações partidárias, cumprem somente a tarefa de panfletar, de carregar bandeiras, de gritar palavras de ordem, o que não muda em nada a estrutura partidária do Brasil, pois leva a filiação de jovens alienados, cujo papel principal é manter as velhas práticas dos caciques.

 

Na política do Amazonas, existem exemplos dos filhos dos "fulanos", dos netos do “sicrano”, chegando até mesmo aos bisnetos, maridos e irmãos.  Por isso mesmo, a política não há uma renovação de práticas administrativas, de ética, há tão somente uma troca de posto de pai para filho ou de marido para mulher. Isso tem tornado a política uma “profissão” familiar e reprodutora de poder doméstico.

 

A participação da mulher ainda é secundária. Nem com os avanços legais ampliou-se o poder feminino nos partidos e nos cargos eletivos de destaques. Situação mais grave encontra-se o negro e os povos indígenas que estão sub-representados e excluídos das direções da maioria dos partidos. Enquanto os partidos não democratizarem suas decisões e não forem transparentes e abertos, permanecerão sendo comandados por pessoas que não possuem interesses coletivos, serão somente o reflexo de pequenos grupos e a política não terá uma renovação cultural. 

 

Siglas estão sendo criadas e  novas fusões partidárias são anunciadas, mas não significam mudanças na cultura partidária atual do País, pelo contrário, estão somente reforçando o patriarcalismo e o elitismo dos partidos.   

 

Faz-se necessária, portanto, uma reforma partidária, uma democratização dos partidos e abertura para o ingresso de novas lideranças que atuem com ética na política, buscando tão somente o interesse coletivo. Com isso, talvez aconteça, filiações de jovens, mulheres e homens com espíritos democráticos para romper com esse modelo partidário e acabar com as velhas práticas.

 

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

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