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Atualizado em 13/02/2020

"Falar de democracia virou comunismo", afirma novo arcebispo de Manaus

Ex-secretário geral da CNBB assume na Amazônia resistência contra ataques do governo federal

DOM LEONARDO STEINER (FOTO: MARCELO CASAL JR/AG. BRASIL)

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - O ex-secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e novo arcebispo metropolitano de Manaus, dom Leonardo Steiner, não poupou críticas a política social e econômica do governo federal durante posse na capital amazonense. Chegada de dom Leonardo Steiner é vista como um contraponto à apatia que tomou conta da igreja católica desde as últimas eleições

 

Dom Steiner disse durante a celebração que o país está sendo governado com base em notícias falsas e pregando a desigualdade das minorias e a violência.    

 

“Estamos tentando governar o País na base de notícias falsas, da agressividade, da violência. Isso não constrói um Brasil. […] Fermento e luz na realidade que se apresenta desigual, violenta, desequilibrada, social e ambientalmente”, afirmo o arcebispo de Manaus, em entrevista publicada na Revista Carta Capital.

 

Seguidores de Bolsonaro tentaram pregar a pecha no ex secretário da CNBB de ‘comunista’. O próprio papa Francisco também já foi alvo desses ataques nas redes sociais, por se levantar contra as desigualdades e contra  a política de destruição da Amazônia.

 

“Dom Helder dizia: ‘Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.’ Hoje virou moda agredir as pessoas com comunismo, chamar de comunista. Falar de democracia virou comunismo. Se fala tanto em ideologia e não se percebe que se fala a partir de uma ideologia. A ideologia que não consegue dialogar com outra torna-se devagar, uma espécie de ditadura do pensar e conviver.  A CNBB teve e tem um papel fundamental na sociedade brasileira, apesar do desejo de que ela se cale.

 

Dom Steiner esteve por oito ano na alta cúpula da CNBB. Ele, inicialmente foi nomeado para assumir a arquidiocese de Cuiabá, mas pediu ao Papa transferência para a Amazônia. Em Cuiabá encontraria bispo conservadores, segundo diz a Carta Capital.

 

O arcebispo de Manaus, tem formação franciscana  é discípulo do catalão Pedro Casaldáliga, o “bispo do povo”. Steiner considera importante a participação dos católicos na política.

 

“A participação dos leigos na política é uma vocação que precisa ser cultivada. A política é essencial para uma sociedade. A política é mais que partidos políticos. O cristão, as pessoas católicas têm o que oferecer para essas transformações estruturais. E nesse momento político precisamos de pessoas lúcidas para o bem do país. Os bispos devem despertar os leigos para essa atuação, para essa vocação. Não é pouco a CNBB ter um curso de Fé e Política”, afirma.

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