Sexta, 29 de maio de 2020

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Atualizado em 28/01/2020

CARLOS SANTIAGO # A vida é arte

CARLOS SANTIAGO # A vida é arte Carlos Santiago, analista político, sociólogo e advogado

A vida pode ser reduzida a duas dimensões: a material e a espiritual. É claro que não estamos falando aqui de um plano religioso, no sentido metafísico, somado a um plano mundano. Um sagrado e outro profano, como se os seres humanos pudessem fazer a segregação desses dois mundos. Referimo-nos à vocação do ser humano para as artes, adicionado à sua insuperável condição de ter que se alimentar para continuar vivendo.

 

A vida é arte, mas também é pasto, como lembra a música dos Titãs. O homem precisa comer, mas também se divertir. Corpo e alma, alma e corpo. Arte para a vida humana é “condição sine per quam”, sem a qual a vida jamais será bem vivida. Você precisa de quê? Você depende de quê?

 

Em todos os tempos e em todas as eras a arte sempre foi cultivada, mesmo durante os regimes ditatoriais houve a preservação de determinados tipos de artes. Alguns leitores podem arguir que somente foram toleradas as mais elitizadas, as que serviam para divertir os mandantes do sistema. Mas essa subutilização de alguns tipos de artes é compreensível, uma vez que quem faz arte são homens e em momentos de extremo perigo urge-se a criação de estratégias de sobrevivência para não capitular. O homem depende de quê? O homem precisa de quê?

 

Durante a Idade Média, as artes eram divididas em dois grupos: um que estudava a linguagem, o trivium (gramática, dialética e retórica) e outro que esquadrinhava a natureza, o quadrivium (música, aritmética, geometria e astronomia), juntas formavam o septennium, base de toda a educação, e funcionava como preparo para a teologia, que reinava absoluta sobre as sete artes liberais. Fico pensando se hoje essa configuração ainda persiste, principalmente depois de determinados acontecimentos em relação a algumas encenações artísticas no Brasil. Mas a vida é uma dança, um balé, podemos dizer que vivemos como equilibristas: um bêbado com chapéu coco. Você precisa de quê? Você depende de quê?

 

Vida e arte, arte e vida. Fico pensando que uma sociedade sem a arte para animar o espírito das pessoas, seria o retrato, um conto da própria história do suicídio, já não seria uma sociedade de humanos. A arte traduz o homem também como ser político nas suas múltiplas manifestações de alegria e de dor. É enquanto ser artístico que podemos dizer que a vida tem valor. A arte retrata a vida do homem, do que ele é e do que ele pensa ser. Seus desejos, aflições, medos e angústias. Retrata seus amores e temores, sua relação com o divino e com profano. Na história da arte encontramos a história da vida dos homens, das gentes. Você depende de quê? Você precisa de quê?

 

Arte e homem, homem e arte. O tamanho da vida pode estar numa fotografia de um Henri Cartier-Bresson, num quadro de Goya, numa escultura de Michelangelo ou numa Monalisa de Da Vinci. Pode passar pelos pincéis de uma Tarsila do Amaral, de uma Anita Malfatti ou pela modernidade de um Di Cavalcanti ou tantos outros magos. Pouco importa, o que importa é a magia das artes, que encanta a vida e transforma em eternidade algo limitado. Romantismo, realismo, hiper-realismo, todos têm um fator comum: o homem. Dinheiro, felicidade, inteiro, metade. Você precisa de quê? Você depende de quê?


*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

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