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Atualizado em 27/11/2019

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO # Ninguém nasce racista

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO # Ninguém nasce racista

Vídeo circulando nos remete a uma profunda reflexão acerca do racismo que acontece no Brasil e no mundo mostra uma filmagem em que crianças são levadas a ler conteúdo racista a uma mulher negra. As crianças se negaram a pronunciar agressões vivenciadas na realidade, e choraram porque o amor e o respeito falaram mais alto. Elas não nasceram racistas.

 

Segundo Nelson Mandela, “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”.

 

No país onde nasceu Pelé, o rei que fez o mundo nos reverenciar, a população negra é a principal vitima de homicídios. Segundo o IBGE, entre 2012 e 2017 foram registradas 255 mil mortes de negros por assassinato, e segundo a pesquisa, em proporção, negros têm 2,7 % mais chance de morrer do que brancos, isso sem falar em ofensas raciais,

 

A violência é um componente estruturante do racismo e o Brasil possui uma triste história de 388 anos de escravidão e manter a escravidão só é possível através da violência. Na verdade, a discriminação está entranhada na cultura nacional e é inadmissível que ainda exista. Ela se fortalece até mesmo nos ambientes que foram criados para defender o cidadão.

 

É revoltante saber que um deputado federal, que é pago pelo povo, atacou na semana passada uma exposição na Câmara dos Deputados sobre o Mês da Consciência Negra sob o pretexto de que o evento contribuiria para a divisão racial do povo brasileiro. 

 

Declarações e atitudes absurdas e grosseiras de autoridades constituídas também incrementam mais essa situação. Isso nos divide, desagrega, populariza e multiplica o surgimento de atitudes racistas e de ódio contra determinados grupos, turbinando e legitimando certas atitudes que estavam hibernando dentro dos racistas. No fundo, alguns apenas fazem o que muitos não têm a coragem de fazer, carregando os aplausos de quem vive nas sombras, os seus seguidores.

 

Quanto às mulheres, as manchetes estão aí para fortalecer a prática da discriminação: Mulheres negras protagonizam só 7,4% dos comerciais; Modelos negras têm dificuldade de conseguir trabalho, diz dono de agência; Negras empreendem mais por necessidade do que as brancas; Empresas precisam rever critério de seleção para ampliar presença de profissionais negras.

 

Segundo pesquisa do Pnad e colhidos pelo Instituto Ethos, mulheres negras ostentam os maiores dados de exclusão e precarização. Ganham menos da metade da renda do homem branco e, entre suas ocupações, um quinto está em serviço doméstico, vindo na segunda colocação serviços de limpeza.

 

Na reforma da Previdência as mulheres negras serão as mais afetadas, por conta da própria informalidade e de uma relação descontínua no mercado de trabalho. Quantas são as mulheres negras que não tem qualquer condição de contribuir com o INSS? O que a reforma aprovada fará com elas? Isso sem contar a reforma trabalhista, que flexibilizou os direitos trabalhistas, liberou a terceirização e afastou as pessoas de buscarem suas reparações na Justiça do Trabalho.

 

Por fim, como disse Paulo Freire, “Desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro, a mulher não estarei ajudando meus filhos a ser sérios, justos e amorosos da vida e dos outros”.

 

*Auditor fiscal e professor*

Sobe Catracas

RUI MACHADO, artista plástico

Recebeu comenda da Ordem do Mérito Legislativo da Aleam, em reconhecimento por trabalho com coisas da Amazônia

Desce Catracas

RONALDO TABOSA, vereador de Manaus

Pela quarta vez, teve mandato cassado pelo TRE/AM, dessa vez, por infidelidade partidária com o PP