Quinta, 09 de julho de 2020

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Atualizado em 18/06/2016

ANDRÉ SEFFAIR #Carta de Parintins

ANDRÉ SEFFAIR   #Carta de Parintins

Neste momento de grave crise, talvez a mais profunda da história do Festival de Parintins, quero falar, em nome das instituições públicas e particulares que compõem o evento, aos meus queridos parintinenses, da cidade, das comunidades rurais, das barrancas e dos logradouros mais longínquos, como se eu fosse capaz de bater à porta de cada casa e pedir licença para enviar-lhes uma mensagem de verdade e esperança.

 

Pela primeira vez em mais de 20 anos, conjunturas econômicas acima da capacidade de previsão humana, impediram que o Estado se fizesse presente no evento.

 

Por várias vezes, tentamos todos os meios de negociação para a cobertura satisfatória dos custos com a organização e segurança, esforço que culminou no envio de uma estrutura material e humana mínima para que o evento acontecesse este ano.

 

Estamos todos absolutamente cientes da relevância da festa para a economia, a interação social e, sobretudo, para a identificação cultural, humana e cidadã de cada irmão e irmã parintinense. Por esta razão cada instituição envolvida não mediu esforços para dar o seu melhor, em que pese a conjuntura adversa, para a realização da Festa.

 

É princípio nosso o amor pelo Amazonas, pelo nosso povo, por nossas tradições, nossa identidade cabocla, nossa convivência pacífica com os povos da floresta e sabemos que o Festival de Parintins representa tudo isto.

 

Neste momento, conclamo a todos nos despir do primitivismo das diferenças políticas, sejam partidárias ou associativas, porque o que está em jogo no presente é o valor de nosso passado e o que está em risco é o nosso futuro. O Festival deste ano é crucial para a sobrevivência de todos os nossos valores. Se prevalecermos eles viverão para sempre, se nos quedarmos  poderá não haver força capaz de reergue-los na forma da festa que conhecemos e tanto amamos.

 

Sei que a noite escura traz o medo, mas também sei que a noite é mais escura antes de amanhecer, se ultrapassamos os obstáculos deste ano, estou certo de que a luz chegará, trazendo tempos ainda mais gloriosos ao nosso Festival.

 

Não nos escusamos aos desafios e quero conclamar a todos a abraçar como sua a festa este ano. Valorizando a cidade, bem recebendo os visitantes, colaborando com as forças de segurança, cada parintinense dará sua contribuição para o êxito do evento. Façam da causa de Parintins a sua própria causa.

 

Peço que se levantem, ergam a cabeça em paz e se mantenham firmes diante deste momento de provação.

 

A tarefa de modificar as circunstâncias que nos trouxeram a esta dificuldade será dura. Dias difíceis virão pela frente e a crise política, econômica e de valores morais pode ser ainda mais grave do que aparenta, mas o único caminho para ultrapassarmos as barreiras é continuar fazendo o que é certo e rezar resignados para que nossa causa seja acolhida por Deus.

 

Se nos mantivermos firmes na fé, resolutos e unidos em nosso objetivo, não haverá força a resistir diante de nossa perseverança.

 

Com a ajuda de Deus e o esforço de todos haveremos de prevalecer.

 

Viva Parintins! Vamos celebrar a festa!

 

*O autor é promotor de Justiça do Amazonas; mestre em Segurança, Direitos Humanos e Cidadania (UEA)

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