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Atualizado em 02/06/2016

ANDRÉ SEFFAIR #Cultura da Criminalidade e Estupros Coletivos

ANDRÉ SEFFAIR  #Cultura da Criminalidade e Estupros Coletivos

Um dia a grande mídia resolveu parar de publicar conteúdo e passou a disseminar lixo cultural e ideologia vazia sob forma de entretenimento. Como em nada me acrescentava, parei de consumir a grande mídia. No início foi só tirar da minha vida um tal de Faustão e uma tal de Xuxa. Depois até achei estranho não saber discutir com outros sobre as últimas novidades da novela das oito. Mas o tempo passou, a coisa degringolou, e a dimensão grotesca do “big brother” (minúsculo mesmo!) provou que eu tinha razão.

 

O lixo cultural e a ideologia vazia se disseminaram. De repente, alunos agora podiam tudo, professores não podiam mais nada, ninguém mais sequer podia ser reprovado. O errado virou certo e uma geração, após outra, sem informações adequadas e orientação decente, se reproduziu como bicho. Educação formal não mais fazia sentido, pois o culto, à ignorância, do grande herói nacional era repetido pela grande mídia a todo instante.

 

A coisa que era “bonitinha” na TV, agora, começou a sair do controle. Vieram os bailes funk, o culto aos bandidos e aos chefes de favela. O linguajar da rapaziada agora era a gíria do crime, espalhada nas letras daqueles tais de Mcs, aplaudidíssimos pela grande mídia. A galera vai à “loucura, loucura, loucura”. De acordo com os valores desta cultura a polícia se consolidou como vilã e opressora. Bandidos se consolidaram como vítimas da sociedade e heróis da juventude.

 

Nesse ambiente, de direitos ilimitados, e obrigações inexistentes, passou-se a assassinar mais de 50 mil brasileiros, por ano, dentro do território nacional, sem que guerra alguma houvesse sido declarada. Números, que em qualquer lugar do mundo civilizado, indicariam barbárie,  aqui são compreendidos e tolerados como a expressão da liberdade de uma gente “educada” e “culturada” a mostrar seu “valor”.

 

Uma geração inteira de brasileiros passou definitivamente a acreditar que não precisava mais de autoridades, nem familiares, nem educacionais, nem de estatais. Bastava a sabedoria dos mitológicos, cultuados e famigerados donos de morros e chefes de favelas. O lixo cultural acabou consolidando sua ideologia como regra debaixo de nossos olhos, a revelia de nosso consentimento.

 

Bombardeados por este tipo de informação a todo instante, muitos foram programados a acreditar que o pais evoluiu, milhares foram às ruas defender a ideologia do nada, pois não admitiam “retrocessos”(?).

 

Nesse ambiente, começou um troço repulsivo de incitar as “novinhas”, meninas de 13, 12, 11 anos de idade, até menos, a rebolar e requebrar até o chão. O povo achava lindo, era a manifestação da diversidade “cultural”, a consolidação da identidade imposta a criaturas na busca desesperada por seu espaço, em uma sociedade na qual o importante era aparecer a qualquer custo.

 

E eu idiota aqui achando tudo isso um absurdo, acreditando que bastava não consumir este lixo que estaria “ fazendo minha parte”.

 

Um dia, não mais que de repente, uma “novinha” é estuprada por mais de trinta vagabundos, todos criados, programados, dominados, possuídos por todo esse lixo cultural e ideologia da liberdade absoluta. Do nada, a repercussão do crime ganha dimensões internacionais e várias mulheres, muitas consumidoras dessa cultura e difusoras dessa ideologia que nos trouxe a esta situação caótica, bradam aos quatro ventos que EU, por ser homem, sou um estuprador em potencial e que meu modo de vida produz tragédias como esta.

 

Foi à cultura do lixo e a ideologia do “pode tudo”, disseminadas a minha revelia, que criaram a cultura do estupro, não os valores sociais que eu acredito e defendo.

 

Quem é vítima de estupro, neste país, todos os dias são pais e mães de família que tem sua casa violada pela cultura do crime e pelo lixo ideológico que trouxe a Nação à beira do caos político, econômico e social.

 

Espero, sinceramente, que a dimensão horrenda, deste crime, seja diretamente proporcional à reflexão que todos devem fazer sobre o tipo de cultura e ideologia de lixo que a Nação vem consumindo e que tomemos atitudes coerentes a luz da razão e do bem comum.

 

PS – Só para refletir sobre nossas contradições, hipocrisias e irracionalidades, da data do estupro coletivo (21.5.2016) até o dia de hoje (01.06.2016) mais de 1.200 indivíduos do sexo masculino e aproximadamente 200 do sexo feminino foram assassinados no Brasil. Provavelmente, você não soube disso, pois não deu manchete de jornal, não viu ninguém se indignar sobre o assunto, não viu comoção nacional, nem viu o governo adotar nenhuma medida para reverter este genocídio.

*O autor é promotor de Justiça do Amazonas; mestre em Segurança, Direitos Humanos e Cidadania (UEA)

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