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Atualizado em 09/11/2019

Enem passará por mudanças, mas não perderá força, dizem especialistas

Enem passará por mudanças, mas não perderá força, dizem especialistas Enem passará por mudanças Marcello Casal JrAgência Brasil

Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil 

 

BRASÍLIA - O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passará por uma série de mudanças nos próximos anos, entre elas, passará a ser aplicado por computador e terá que ser reformulado para avaliar estudantes de um novo modelo de ensino médio. Mesmo assim, de acordo com especialistas entrevistados pela Agência Brasil, não perderá força, e continuará sendo porta de entrada para o ensino superior do Brasil e de universidades estrangeiras.

 

“Teremos mudanças estruturais, mas não vejo dificuldade conceitual nessas mudanças. É questão de adaptação que, em breve, todas as instituições estarão adaptadas à nova estrutura do ensino médio e como consequência, ao exame”, diz o presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave) e integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Joaquim Soares Neto.  

“O Enem é um instrumento muito poderoso. A juventude vê o Enem como excelente caminho em busca de vaga em instituição de ensino superior no Brasil e no exterior”, complementa.

O ensino médio, deverá, de acordo com lei promulgada em 2017, passar por mudanças. Os estudantes de todo o país passarão a ter uma parte do conteúdo comum a todas as escolas e, parte que poderá ser escolhida por eles. As escolas deverão ofertar itinerários formativos em linguagens, ciências da natureza, ciências humanas, matemática e ensino técnico. 

O Enem terá então que ser reformulado para melhor avaliar esses estudantes. “É ver como o Enem vai se adaptar à questão do itinerário formativo isso tudo é desafio sim”, diz Neto. Algumas propostas foram feitas em gestões anteriores, de que a prova avaliasse apenas a parte comum do currículo ou mesmo que um dia avaliasse a parte comum e o outro, o itinerário escolhido pelo estudante. 

Ainda não há uma definição, mas há a sinalização, por parte da atual gestão do Ministério da Educação (MEC), de que haverá vários modelos de prova

Mais questões 

Segundo o vice-presidente da Abave e professor da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP), Reynaldo Fernandes, um dos desafios tanto para adequação ao novo ensino médio, quanto para o Enem digital será ampliar o chamado Banco Nacional de Itens (BNI). O banco reúne todas questões elaboradas e testadas para serem aplicadas no Enem. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) não revela quantas questões há nesse banco.

Segundo Fernandes, tanto para possibilitar a elaboração de várias versões de prova quanto para viabilizar o Enem digital, esse banco precisa crescer.  “Precisava ter de 20 a 30 mil itens e, para isso, precisava ter gente fazendo isso a todo tempo”, diz. 

Fernandes presidia o Inep quando o Enem foi reformulado, em 2009, para se tornar hoje porta de entrada para o ensino superior. Até então, a prova criada em 1998 servia para avaliar o ensino médio. “Acho que ninguém mais pensaria em voltar atrás”.

Para evitar fraudes e vazamentos, como o que ocorreu em 2009, na primeira aplicação, e levou ao cancelamento e posterior reagendamento da prova, Fernandes defende que é importante que cada aplicação tenha vários modelos de prova. O sistema de elaboração e de correção da prova, pela teoria de resposta ao item (TRI) faz com que as provas tenham um mesmo nível e que os estudantes sejam avaliados da mesma forma. 

Ele defende ainda que o Enem seja aplicado mais de uma vez por ano. “O problema de fazer uma única prova é que se der qualquer azar põe tudo num único dia para os estudantes. Essa é a grande mudança que temos que fazer”, diz. A ideia vai ao encontro dos planos da atual gestão. O governo pretende digitalizar integralmente o Enem até 2026 e, com isso, aumentar o número de aplicações. 

Usos do Enem

O Enem é hoje uma das principais formas de ingresso no ensino superior. Todas as universidades federais do país usam o Enem de alguma forma, seja como processo seletivo único, seja como uma das formas de admissão. O exame cresceu também entre as universidades privadas. 

“O Enem é uma prova que coloca todos os alunos na mesma régua”, diz a presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), Elizabeth Guedes. A Anup reúne atualmente 247 instituições de ensino particulares associadas com mais de 2 milhões de alunos de graduação.

“Os alunos com notas superiores no Enem geralmente são aceitos com bolsas de estudos, muitas vezes integrais, e são disputados pelas particulares. Porque a correlação entre um Enem alto e um aluno proativo, inteligente, capacitado é muito relevante”.

Três a cada quatro estudantes que cursam o ensino superior estão matriculados em instituições particulares, ou seja, essas instituições concentram 75,3% das matrículas de todo o ensino superior

Além das bolsas concedidas pelas próprias instituições, Elizabeth destaca as bolsas ofertadas por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), federal. A política, segundo ela, é importante para a inclusão. “Alunos do Prouni são alunos de baixa renda. São muitas vezes os primeiros a terem acesso a ensino superior nas suas famílias”. 

Enem 2019

No último domingo (3), 3,9 milhões de estudantes fizeram as provas de linguagens, ciências humanas e redação. Neste domingo (10), os participantes fazem as provas de matemática e ciências da natureza. 

Sobe Catracas

GERSON MOURÃO, presidente da Fundação Cecon do AM

Médico mastologista foi homenageado com Medalha Ruy Araújo, na Aleam, pelo trabalho à frente do Centro de Controle de Oncologia do Estado

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Foi preso em flagrante, em operação do MPAM, recebendo propina do prefeito Chico Doido