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Atualizado em 29/10/2019

CARLOS SANTIAGO # Crises na América do Sul

CARLOS SANTIAGO # Crises na América do Sul

Na América do Sul, região de negros e das manifestações afro-descentes, de povos indígenas, de povos descendentes da cor e da cultura europeia, da língua espanhola e da portuguesa, do peronismo, do lulismo, do bolsonarismo, do fujimorismo, do chavismo, da economia impulsionada pelo Estado e também pelo liberalismo econômico há um clima de angústia. Há um sentimento de cansaço. Há muita decepção e incertezas.

 

Nesse Continente tem muita desigualdade econômica, uma tradição autoritária, Estados falidos, privilégios de grupos, corrupção quase sistêmica, instituições públicas controladas por corporações, sistema político confuso e excludente, violência de Estado e do tráfico de drogas, péssimos e caros serviços públicos oferecidos, Países burocráticos e governos populistas.

 

No que tange ao Brasil, continua com alta taxa de desemprego, sem crescimento econômico, com um dos piores índices de desigualdades sociais e de violência. Desde 2013, o povo faz manifestações contra a corrupção, os privilégios e a ineficiência dos serviços públicos. Porém, as reformas políticas aprovadas só aumentaram os recursos públicos aos partidos e deram mais poderes aos caciques políticos; a reforma da previdência retira direitos da população de baixa renda e mantém privilégios de corporações civis e de militares.

 

Na Argentina, a maioria do povo sofre com a crise política e econômica. Nem peronismo, que defende maior intervenção do Estado na economia, nem o liberalismo econômico que postula um Estado menor, deram respostas ao aumento da pobreza, da corrupção, do desemprego e da inflação. Crises econômicas e desgovernos levaram a Argentina a pedir empréstimos ao Fundo Monetário Internacional - FMI para pagar dívidas.

 

Manifestações acontecem também no Chile. País governado, nas últimas décadas, por governos socialistas e liberais. A desigualdade cresceu, os salários estão baixos, custos expressivos do transporte coletivo, classe média endividada, educação superior cara, sistema de previdência castiga os humildes. Promessas de liberais e de socialistas não saíram do papel, assim como a melhoria da economia e da segurança.

 

No Peru, o presidente dissolveu o Congresso Nacional. Impasses políticos e disputas pelo Poder geram crises institucionais. O Congresso está desgastado, o povo saiu em defesa do ato do presidente. Empresários e políticos estão envolvidos em escândalos de corrupção, um desdobramentos da Operação Lava. No último biênio cresceu a pobreza e o trabalho informal. 

 

Milhões de venezuelanos deixam seu País em busca de melhoria. A pobreza avançou, a economia despencou, a inflação corrói os salários; as instituições do Estado, os partidos e os políticos estão sem credibilidade. A Venezuela está dividida por grupos que há décadas usam e controlam o Estado para aumentar privilégios, como é o caso dos militares, ou, melhorar seus negócios, deixando em segundo plano o povo humilde. 

 

O Equador enfrenta grandes manifestações causadas pelo fim do subsídio ao preço do combustível, levando o presidente a decretar estado de exceção. Não faltam políticos envolvidos em crimes de corrupção; a desigualdade atinge principalmente os povos indígenas. O Paraguai também enfrenta uma crise política, denúncias de corrupção e o aumento de uma parcela da sociedade na miséria. Na Bolívia, as eleições são questionadas.

 

Vivemos numa América do Sul com inquietações e incertezas. Até quando?

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

Sobe Catracas

GERSON MOURÃO, presidente da Fundação Cecon do AM

Médico mastologista foi homenageado com Medalha Ruy Araújo, na Aleam, pelo trabalho à frente do Centro de Controle de Oncologia do Estado

Desce Catracas

PEDRO PAULO "PEPÊ", vereador de Iranduba (AM)

Foi preso em flagrante, em operação do MPAM, recebendo propina do prefeito Chico Doido