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Atualizado em 10/10/2019

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO #A inveja além das telas

AUGUSTO BERNARDO CECÍLIO #A inveja além das telas

Com uma exuberância visual impressionante, a proposta fotorrealista do novo filme O Rei Leão nos mostra a história de Simba, um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar faz com que Mufasa, o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote.

 

Numa das cenas mais dramáticas do cinema, que mostra ao público infantil a morte cruel de um personagem, o rei está pendurado nas rochas para não cair e ser pisoteado por uma manada de gnus em alta velocidade, suplicando ajuda ao irmão invejoso, que queria o seu trono. Em seguida Scar mata o seu irmão e ainda culpa o sobrinho pela morte do pai.

 

Simba, consumido pela culpa, abandona o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida.

 

Esse filme nos apresenta muitas coisas boas, mas foca num sentimento nocivo que vai muito além das telas, e mostra o lado negro do comportamento humano: a inveja.

 

Dizem que a inveja é um dos piores sentimentos. É um sentimento de inferioridade e de desgosto diante da felicidade do outro. É um sentimento de cobiça da riqueza, do brilho e da prosperidade alheia. É o desejo constante que algumas pessoas sentem ao almejar a todo custo as conquistas da vida alheia, é desejar o que o outro possui ou realiza. Ela se liga ao ciúme no momento que produz desgosto ou tormento ao indivíduo que almeja possuir algo que pertence a outro indivíduo.

 

A inveja é considerada um dos sete pecados capitais e, normalmente, caminha lado a lado com a crítica destrutiva do(a) invejoso(a). Ela é muito destrutiva para quem sente e para quem é invejado, e essa emoção é tão comum como também prejudicial e muitas vezes pode vir mascarada por declarações superficiais. 

 

A inveja atua silenciosamente, vai crescendo ao longo do tempo e pode levar as pessoas a se alegrarem com as dificuldades dos outros. E isso não só acontece com pessoas “inatingíveis”, mas em relação às pessoas próximas também, bem mais perto do que se possa imaginar.

 

Segundo reportagem de Kalel Adolfo, publicada na revista eletrônica Minha Vida, é difícil admitir que possamos sentir inveja. Entretanto, não devemos nos sentir culpados caso isso aconteça. Este sentimento surge quando nos comparamos exageradamente com os outros e nos frustramos por não viver a realidade deles.

 

Muitos traços de nossa personalidade podem facilitar o surgimento desse incômodo, e é necessário olhar para dentro de si e descobrir como iremos lidar com isso.

 

A psicóloga Adriana de Araújo indica que podemos criar metas e planejamentos para alcançar o sucesso que tanto desejamos ao sentirmos inveja.

 

Quando canalizado de maneira construtiva, o sentimento pode nos inspirar a buscar crescimento pessoal. Mas é extremamente importante que nós tenhamos noção de que cada um possui sua própria essência e, portanto, o caminho para a autorrealização nunca será o mesmo para todos.

 

A inveja torna-se destrutiva quando pausamos nossa vida e sofremos por não ter o que é do próximo. "Quando isso acontece, não conseguimos aproveitar o que temos, apreciar as coisas boas que conquistamos, e esse mal-estar pode até mesmo levar a uma baixa autoestima".

 

*O autor é auditor fiscal e professor. E-mail: [email protected]

 

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