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Atualizado em 28/08/2019

'É preciso correção diplomática e diálogo pacífico sobre a Amazônia', diz Arthur Neto

Prefeito de Manaus deu entrevista por telefone nesta terça (27), à rádio Bandeirante e falou sobre a Amazônia e sua relação com o G7

'É preciso correção diplomática e diálogo pacífico sobre a Amazônia', diz Arthur Neto Prefeito de Manaus, Arthur Neto. Foto: divulação

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - “O Brasil precisa de uma correção diplomática, com urgência, para que possamos dialogar com outros países e deixar claro, de forma pacífica, que a Amazônia é nossa”, afirmou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, em entrevista por telefone nesta terça-feira, 27/8, ao jornal Gente, da rádio Bandeirante de Porto Alegre (RS), sob comando dos jornalistas Oziris Marins e Sérgio Stock.

 

“A decisão do G7, que resolveu doar ao Brasil 20 milhões de dólares, foi uma coisa ruim, porque eles ignoram que o Brasil é a oitava economia do mundo. Isso é como se fosse uma esmola”, alertou Arthur, acrescentando que o país precisa de parcerias para fazer projetos de desenvolvimento sustentável, preservando a floresta, que é um dos principais instrumentos no combate ao aquecimento global. “É preciso uma correção diplomática muito clara. O Brasil não pode criar inimizade com o G7 e o G7 não pode achar que o que estamos precisando aqui são doações”, completou.

 

Indagado quanto ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro diante da atenção do mundo sobre as queimadas na Amazônia, Virgílio disse que cabe ao governo atual perceber que não se deve provocar uma crise mundial, fruto da má governança sobre a região. Ao mesmo tempo, ainda segundo Arthur, a população internacional deve saber como oferecer parcerias, respeitando a independência brasileira.

 

“O Brasil é um país de diplomacia muito respeitada, uma potência não militar, mas uma potência econômica média com irregularidades e injustiças na distribuição da riqueza. Tudo isso é um mal que vem de muito tempo. Agora, na França, se fala até em internacionalização da Amazônia. Isso não cabe mais. As pessoas de fora do Brasil precisam perceber que devem buscar parcerias, mas que reconheçam a soberania do país”, ponderou o prefeito de Manaus.

 

Diplomata de carreira, citando importantes nomes que deixaram grande legado na relação do Brasil com o exterior, o prefeito Arthur Virgílio Neto voltou a criticar a falta de diplomacia para se resolver essa situação, que em outros tempos não faltava. Para ele, é hora de o Brasil enxergar que possui em seu território 60% da floresta amazônica.

 

“O país teve, como ministro de Relações Exteriores, o Barão do Rio Branco, que foi quem alargou as nossas fronteiras, anexando o Acre ao Brasil pelo tratado de 1903. O Brasil teve Joaquim Nabuco, que hoje é avenida em tudo que é lugar do país. Então, o Brasil tem que buscar o seu Joaquim Nabuco, o seu Barão de Rio Branco e negociar, em tom de altivez, que a Amazônia é brasileira. Nós temos que fazer isso em benefício da humanidade e em benefício dos nossos cidadãos”, avaliou Virgílio.

 

Ainda durante a entrevista, que durou pouco mais de 20 minutos, Arthur reforçou o que tem dito sobre a importância da Zona Franca de Manaus (ZFM) para manutenção da parte amazonense da floresta amazônica em pé. Ele também defendeu que o avanço sobre a biodiversidade da região só pode ser feito de forma sustentável e com investimentos em ciência e tecnologia pelos órgãos de pesquisas.

 

“Temos que nos preparar para vermos o Brasil investindo fortemente nos órgãos de pesquisa da região, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Inpa, no Amazonas; a Universidade da Amazônia Ocidental, a Universidade da Amazônia Oriental e mais o Museu Emílio Goeldi, no Pará. É aí que está a chave para o desenvolvimento de uma indústria de biotecnologia de verdade”, considerou Arthur, que também enfatizou a importância do papel dos cientistas no trato com os povos da floresta, voltando também a criticar garimpos em terras indígenas.

 

“Nós precisamos considerar que a deterioração da Amazônia e seu desmatamento desmedido leva à seca dos ‘rios voadores’, a condensação cria nuvens que vão sair do Brasil, passando pelo Nordeste, passam por São Paulo, passam pelo Rio Grande do Sul e chegam até a Argentina. Os rios voadores, criados na Amazônia, servem para o Diego Maradona tomar banho na Argentina. É um fenômeno fantástico que não deve acabar”, finalizou o prefeito, em sua participação na rádio.

 

Sobe Catracas

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Desce Catracas

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