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Atualizado em 26/08/2019

CARLOS SANTIAGO # A vida e o falecimento de Fernanda Young

CARLOS SANTIAGO # A vida e o falecimento de Fernanda Young

O falecimento de parentes, de amigos e até de pessoas populares, como o jornalista Ricardo Boechat, sempre me traz uma profunda reflexão sobre a vida. O músico John Lennon dizia que “a vida é aquilo que acontece enquanto você está fazendo outros planos”. “A vida passa num instante. E um instante é muito pouco pra sonhar”, diz o músico brasileiro Oswaldo Montenegro.

 

Acredito que a vida é experiência única. Uma mistura de ossos, carnes, nervos, sentimentos, culturas, tempos, mutações, mistérios, felicidades, frustrações, esperanças e....

 

Alguns não suportam a vida. Não conseguem conviver com outras vidas, reflexo de problemas sociais, culturais ou patológicos. Outros colocam a vida como centro de tudo, amam viver, como foi o caso do antropólogo Darcy Ribeiro. Antes dele morrer de câncer, chegou a dizer que merecia ter uma vida eterna, porque tinha trabalhado muito por outras vidas.

 

A vida é assim: desejada e indesejada, intensa e morna. É uma experiência única, passa num instante e é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para ela. É a mais bela poesia e uma mistura perfeita da natureza com a bondade de Deus. Mas a luta pelo poder e a intolerância impedem a sua plena realização da vida.

 

E viver ficou triste e chato. O falecimento da escritora Fernanda Young deixou o mundo sem a pitada de ironia e de amor que ela usava para dizer verdades da vida que temos e do mundo que criamos, como fez no seu texto “Todos têm razão”, publicado no dia 17 de junho de 2019, no jornal O globo, no qual deixo aqui como uma homenagem e reflexão.
“Fiquei um pouco desnorteada, pois acordei de manhã e não tinha nenhuma notícia sobre o Scooby, na internet. Corri para o caso Neymar e li tudo que havia de novo, até me sentir atualizada. Sensação que não durou muito, pois lembrei-me do vazamento do Moro.

 

Nunca imaginei que ver um país afundar seria tão divertido. Queremos saber quem está com a razão — Scooby ou Luana, Neymar ou Najila, Moro ou Lula? E iremos ao fundo sem entender o mais importante: todo mundo tem razão.
O prego tem razão quando fura, o pneu tem razão quando estoura, o motorista tem razão quando xinga. Razão, gente, é o que não falta. Tenho eu, tem você, têm eles. A moça do telemarketing tem várias razões para me ligar, e eu tenho mais razões ainda para desligar na cara dela. O vírus tem razão ao atacar, o goleiro tem razão ao defender. O leite tem razão quando azeda, o açúcar tem razão quando engorda, o veneno tem razão quando mata.

 

Você discorda de mim? Tem razão. Todos que escrevem aqui, nestas páginas, estão cheios de razão, mas todos que leem certamente têm diversas razões para não concordar. O humorista tem razão de fazer a piada, e qualquer um tem razão de se sentir ofendido. Um casal brigando: qual deles tem razão? Os dois, posso garantir — ele deu mil motivos para ela, ela deu mil motivos para ele.

 

O vampiro tem razão quando chupa o sangue da mocinha, ele está com fome. O que não impede a mocinha de ter razão de gritar, ela está com medo. A chuva tem razão de cair, as ruas têm razão de alagar. A encosta tinha razão ao desmoronar, estava obedecendo à lei da gravidade. A loteria tem razão de nunca premiar você, está seguindo as leis da probabilidade. O dente teve razão se doeu, e o avião teve razão se caiu.

 

Não estou dizendo que a razão é relativa — estou dizendo que ela é abundante. Fale com qualquer pessoa na rua, aposto que ela estará coberta de razão.

 

Então a questão não é saber quem tem razão. Todos temos. A questão é saber se ainda há uma saída para essa confusão em que nos metemos.”

*Autor é sociólogo, analista político e advogado*

Sobe Catracas

RAFAEL BARBOSA, defensor público geral do Amazonas

Recebeu medalha Ruy Araújo, mais alta comenda da Aleam, e em agradecimento, nomeou o 18º defensor aprovado no concurso da DPE-AM

Desce Catracas

ALFREDO MENEZES, superintendente da Suframa

Amigo do presidente, ZFM tem sofrido fulminantes ataques do governo Bolsonaro, o que mostra desprestígio dele no cargo