DeAmazônia

MENU
Atualizado em 13/08/2019

CARLOS SANTIAGO #A velha política persiste

CARLOS SANTIAGO #A velha política persiste

Não é um debate infantil sobre o tamanho das concepções e ações da esquerda ou da direita, como blocos que buscam o poder, mas sobre o modus operandi da política brasileira, independente de posições ideológicas. Eleições terminam, governos são eleitos, governantes são trocados, partidos diferentes assumem a República brasileira, mas a prática é sempre a mesma: uso da Administração Pública para beneficiar familiares e compadres; distribuição de cargos e verbas do erário para aprovar mensagens governamentais; crimes de corrupção e perseguição política e econômica aos adversários de ideias; além do autoritarismo na condução do governo. Exemplos não faltam.

 

Recentemente, o maior mandatário do País decidiu indicar um dos seus filhos para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos da América, com a lógica de que se deve sim, se puder, beneficiar os familiares, numa clara violação aos ditames da moral administrativa. O nepotismo, disfarçado juridicamente de cargo político, tornou-se uma prática comum nas engrenagens do Estado, possibilitando que governantes nomeiem esposas e filhos para cargos públicos nos estados e nos municípios e até nos Tribunais de Contas e nas Cortes Eleitorais.

 

Nas últimas semanas, o toma lá dá cá ficou mais visível no Congresso Nacional. Para conseguir votos para aprovação da Reforma da Previdência, o governo federal liberou bilhões de verbas do erário para os deputados gastarem nas suas bases políticas e nas administrações de seus aliados. O desvio de conduta ética não se circunscreve à Brasília, verticaliza-se para os estados e municípios. Um exemplo, é a cidade de Iranduba/AM, onde alguns vereadores foram presos por estarem usando os cargos para negociar aprovação de leis.

 

Corrupção e falta de ética estão ditando ações de alguns representantes políticos. Um Ministro de Estado é acusado de desviar dinheiro do Fundo de Campanha, usando candidaturas laranjas; acordo Brasil-Paraguai sobre produção de energia elétrica de Itaipu é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, no país vizinho, e objeto de fiscalização pelo Senado brasileiro. Mas não é só isso. Nas Assembleias legislativas há denúncias de que deputados continuam a confiscar parte dos salários dos assessores; surgem novas denúncias de irregularidades em contratos na área da educação e da saúde.

 

Vivemos o momento do absurdo, no qual adversários políticos e eleitores são perseguidos. Para se ter uma ideia, no Nordeste, com 56 milhões de brasileiros, administradores públicos não conseguem financiamento em bancos federais. A orientação é não dar nada aos "paraíbas". Mas ainda não acabou. As universidades federais passam por contingenciamento de verbas e correm contra o tempo para pagar fornecedores. Administradores são afastados de suas funções, dados científicos são questionados, Conselhos, ONGS e sindicatos têm suas representações diminuídas ou extintas. Há uma agressão direta contra a democracia e à Constituição Federal, tudo para impor vontades de governantes autoritários que odeiam partilhar decisões com a sociedade. Até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, representante de uma classe com destaque na Constituição, sofre severos ataques.

 

Tudo isso me faz lembrar a música do cantor Cazuza quando diz: “Eu vejo o futuro repetir o passado/Eu vejo um museu de grandes novidades.” Pois bem, a velha política continua bem viva e com feição ainda mais autoritária.

*Sociólogo, Analista Político e Advogado.

Sobe Catracas

PASTORA LEAL, presidente do TRT/8ª Região

Desembargadora foi homenageada na sede do TST, em Brasília, com medalha da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho

Desce Catracas

JARDEL VASCONCELOS, prefeito de Monte Alegre (PA)

Conselho de Ética e Transparência Administrativa Municipal (Copetramma) protocolou pedido de cassação dele na Câmara por suposta fraude em licitação