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Atualizado em 19/07/2019

'Moro interferiu em delações da Lava Jato', diz nova reportagem da Folha

Segundo a Folha, foi em 2015, durante as negociações de delações de dois executivos da Camargo Corrêa

'Moro interferiu em delações da Lava Jato', diz nova reportagem da Folha Ministro Sérgio Moro ( Foto: MARCELO CAMARGO/Agência Brasil

DEAMAZÔNIA BRASÍLIA -"Mensagens privadas trocadas por procuradores da Operação Lava Jato em 2015 mostram que o então juiz federal Sergio Moro interferiu nas negociações das delações de dois executivos da construtora Camargo Corrêa cruzando limites impostos pela legislação para manter juízes afastados de conversas com colaboradores", é o que diz a Folha de S. Paulo e o The Intercept Brasil, divulgada nesta quinta-feira(18/07), em reportagem assinada por Ricardo Balthazar e Paula Bianchi.

 

De acordo com o material obtido pelo The Intercept e checado pela Folha e pelo site, Moro avisou aos procuradores que só homologaria as delações se a pena proposta aos executivos incluísse pelo menos um ano de prisão em regime fechado.

 

A Lei das Organizações Criminosas, de 2013, diz que juízes devem se manter distantes das negociações e têm como obrigação apenas a verificação da legalidade dos acordos após sua assinatura.

 

"As mensagens obtidas pelo Intercept mostram que Moro desprezou esses limites ao impor condições para aceitar as delações num estágio prematuro, em que seus advogados ainda estavam na mesa negociando com a Procuradoria", cita trecho de uma série de reportagens, que a Folha vem publicando.

 

TROCA DE MENSAGENS

"No dia 23 de fevereiro de 2015, o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato, escreveu a Carlos Fernando dos Santos Lima, que conduzia as negociações com a Camargo Corrêa, e sugeriu que aproveitasse uma reunião com Moro para consultá-lo sobre as penas a serem propostas aos delatores", diz a reportagem.

 

- ‘ A título de sugestão, seria bom sondar Moro quanto aos patamares estabelecidos’, disse Deltan. 

 

- ‘ O procedimento de delação virou um caos. O que vejo agora é um tipo de barganha onde se quer jogar para a platéia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado, sem realmente ir em frente. Não sei fazer negociação como se fosse um turco. Isso até é contrário à boa-fé que entendo um negociador deve ter. E é bom lembrar que bons resultados para os advogados são importantes para que sejam trazidos novos colaboradores’, Carlos Fernando.

 

- “ Vc quer fazer os acordos da Camargo mesmo com pena de que o Moro discorde?. Acho perigoso pro relacionamento fazer sem ir FALAR com ele, o que não significa que seguiremos’ interferiu Deltan.

 

A opinião de Moro foi parcialmente respeitada. Com a assinatura dos acordos, dois dias depois, ficou acertado que os dois executivos da Camargo Corrêa, Dalton Avancini e Eduardo Leite, ficariam mais um ano trancados em casa, mas não num presídio.

 

Em nota, Moro negou ter participado dos acordos. “Enquanto juiz, não houve participação na negociação de qualquer acordo de colaboração”, diz nota enviada por sua assessoria.

 

VAGA NO SUPREMO

As divulgações das trocas de dialogos entre procuradores da Lava jato e o então juiz Moro, tem causando um estrago na vida de Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa e do atual ministro de Bolsonaro. No Supremo, a possibilidade de Sérgio Moro assumir a vaga, que será deixada por Marco Aurélio, embassou mesmo.

 

'Espero que ele não ocupe a cadeira que deixarei", afirmou o ministro do Supremo, de acordo com publicação desta sexta feira (19), da coluna Painel, da Folha. É dele a vaga que Bolsonaro escolherá o substituto. O presidente havia prometido a vaga para Moro. Antes Marco Aurélio já havia criticado Moro: "Não é vocacionado à magistratura".

 

Já o procurador Deltan, teve as inscrições de sua próxima palestra encerrada, mesmo sobrando vagas. Deltan dará palestra no dia 30, no congresso da cooperativa Uniodonto Campinas. 

 

 

 

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