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Atualizado em 11/06/2019

CARLOS SANTIAGO #O amor e o ódio

CARLOS SANTIAGO  #O amor e o ódio  Carlos Santiago

Há cerca de dois anos, no show da cantora Marisa Monte, realizado em Manaus, tive um insight: só amor une as pessoas. Ali, dividiam o mesmo espaço homens e mulheres de vida social, crenças, roupas e profissões diferentes. Até mesmo o perfume exalava a diferença socioeconômica. Mas a pluralidade ia além disso. Havia indígenas, negros, brancos, entre tantos. Uma diversidade de pessoas que nunca tinham se olhado ou falado, mas de forma  impressionante - quando a Dona do espetáculo começou a cantar as suas cantigas recheadas de versos de amor e de paixão, percebi que todas as diferenças cessaram naquele momento. Todos, inclusive eu, cantavam com emoção e sorrisos: “deixa eu dizer que te amo. Deixa eu gostar de você. Isso me acalma, me acolhe a alma. Isso me ajuda a viver”. 
 
 
Naquele momento não importava a classe social, o credo, a cor e a origem porque o amor era a essência humana que unia todos. Confesso que algumas lágrimas caíram dos meus olhos, pois, geralmente, o amor não é o visgo das relações sociais, mas o ódio e a intolerância.  
 
 
Mais recentemente fui ao cinema e um rapaz resolveu atender o seu celular no meio do filme. Foram tantos os xingamentos, que nem a mãe dele se livrou dos palavrões. Parecia que ele tinha cometido uma grande atrocidade contra a humanidade, com a sala do cinema lotada, as vozes de intolerância eram apoiadas e ganhavam dimensões. Impressionante, ainda, foi presenciar palavras duras e de ódio vindas de pessoas aparentemente distintas e bem vestidas.  
 
 
Em outro momento, num elevador de uma Casa Legislativa do Amazonas, vi uma ascensorista receber tratamento ríspido de um homem de terno e de sua acompanhante, somente porque a funcionária apertou o quinto andar ao invés do sexto como tinha sido solicitado pelo senhor. Este xingou a moça de "bicho anta" e, ainda, disse que ela "não servia pra nada".   
 
 
Numa outra situação, com trânsito carregado, no complexo viário Gilberto Mestrinho, já passava das 18 horas, quando avistei dois motoristas gritando com os agentes de trânsitos municipais por causa da lentidão. Além das buzinas dos carros que tornavam a mobilidade naquela área mais estressante, ainda havia gritos de passageiros de outros carros e de ônibus.   
 
 
Cenas de ódio e intolerância avançaram também sobre a "Casa da Justiça". Estava no Fórum Henoch Reis quando vi a briga de um homem e de uma mulher por uma vaga de estacionamento. Eles se digladiavam usando palavrões como armas. "Você é um filho da p...", dizia a mulher. "Tu és uma piranha sem carteira de motorista”, respondia o homem. Ambos diziam que estavam atrasados para compromissos nas varas de Justiça e que não podiam perder tempo para encontrar outra vaga. 
   
  
Pois bem, a nossa vida passa por transformações velozes sem precedentes, com uma geração de homens e mulheres “explosivos”, cansados e estressados de tantas cobranças. Elas vão desde a realização profissional, passando pela busca do "corpo sarado" de academia, até ser o pai ou chefe de família perfeito, o que publica fotos com a família feliz nas redes sociais.  
 
 
Esses fatos contrastantes entre o amor e o ódio demonstram que o visgo perfeito para as relações sociais habita nos momentos felizes e alegres: sempre será o amor. Só ele é capaz de superar esses sintomas intolerantes dessa sociedade do cansaço e do ódio. 
 
*O autor é sociólogo, snalista político e ddvogado.

Sobe Catracas

WILSON LIMA, governador do Amazonas

Anunciou que deixará a estrutura da saúde do Festival, pela primeira vez, para ficar em Parintins 

Desce Catracas

JARDEL VASCONCELOS, prefeito de Monte Alegre (PA)

Em nova ação, Justiça condenou ele a perda dos direitos políticos por três anos por suposta fraude em verba federal