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Atualizado em 28/02/2019

ARTUR NETO #Pela Amazônia, pelo Brasil e pelo Planeta

ARTUR NETO  #Pela Amazônia, pelo Brasil e pelo Planeta

A Zona Franca de Manaus completa 52 anos neste 28 de fevereiro. Os incentivos fiscais a ela concedidos a partir de 1967 serviram para erigir um expressivo polo industrial, que ora vive aguda crise e necessita, a bem do Brasil e do planeta, de reformas profundas em sua infraestrutura. Seus fundadores, presidente Castelo Branco e ministro Roberto Campos pensaram em garantir a soberania nacional sobre área tão estratégica e propiciar desenvolvimento econômico a uma região estagnada. Atingiram em cheio seus objetivos.


Mais recentemente, surgiu a variável ambiental, de notável relevância. É aí que avulta o peso local, nacional e planetário do Polo Industrial de Manaus. No plano local, porque sustenta, em seus efeitos diretos e indiretos, a economia amazonense além de ganhar tempo político e econômico para novas matrizes a ele se somarem. No plano nacional, porque o mantém a floresta amazônica amazonense com 97% de sua cobertura florestal intactos; isso daria um grande trunfo diplomático para um presidente que soerguesse a ZFM, exibindo ao mundo uma governança responsável sobre a floresta e os rios da Amazônia. No plano internacional, porque o mundo sabe que esse conjunto floresta/grandes rios é o principal mitigador das consequências negativas do aquecimento global.

Desejo todos os êxitos à administração do ilustre coronel Alfredo Menezes à frente da Suframa. E ressalto como urgentes os investimentos em nossas precárias internet e telefonia celular. Ressalto que se a Zona Franca estivesse em momento de euforia, estaríamos vivendo um caos portuário: logo, precisamos de portos efetivamente capazes de atender à entrada e saída de insumos e produtos no e do Distrito Industrial. Saliento a necessidade da estruturação de hidrovias, a começar pela do rio Madeira, junto com a imediata finalização da BR-319. Pontuo a urgência em se retomar o processo de treinamento de mão de obra, formação de capital intelectual, investimento em inovação tecnológica e aplicação rigorosa e sistêmica dos vultosos recursos destinados a pesquisa e desenvolvimento (P&D). Saliento que são necessários novos polos (por quê não drones?), com posição nobre para a incorporação dos produtos da biodiversidade (fármacos, cosméticos, biojóias) no processo de produção. Destaco que a decisão sobre os Processos Produtivos Básicos (PPBs) dever ser descentralizada desde Brasília para o âmbito do Conselho de Administração da Suframa, o CAS.

 


Nossos governantes precisam entender que a Zona Franca sustenta a floresta em pé. A Organização Mundial do Comércio já sabe disso há tempos, aceitando, sem retaliar o Brasil, as condições fiscais excepcionais destinadas à ZFM.


Certos tecnocratas se perdem na aritmética que compara custo do emprego X valor dos incentivos, por aí concluindo que a Zona Franca seria um peso para o Brasil. Ora, o Amazonas é o maior pagador de impostos da região norte. E se a Zona Franca perecer, multidões de desempregados e desesperançados avançarão sobre a floresta, acarretando forte crise diplomática e tensões militares de fim imprevisível para o Brasil. Tudo isso sem contar o empobrecimento do regime de chuvas (acabariam os “rios voadores”)  no Amazonas, em grande parte do país e até na Argentina. Nossos rios pujantes se amesquinhariam. Nossa biodiversidade seria destruída.

 

Lembro-me de duas lições de minha grande mestra, dos tempos de Instituto Rio Branco, a notável geógrafa Bertha Becker: a) o Brasil conta com apenas três cidades com efetiva vocação de cidade mundial: São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus; b) apenas uma das três maiores riquezas mundiais pertence a um só estado nacional. As outras duas (riquezas do fundo do mar e Antártida) pertencem a vários países. A Amazônia é que é apenas do Brasil. Daí a importância de o governo brasileiro apaixonadamente apoiar a Zona Franca, imprescindível ao país porque lhe garante equilíbrio ecológico e pode lhe sustentar prestígio diplomático e paz militar.

Que outras matrizes venham se somar ao que hoje é a única fonte concreta com que contamos. Nada de comparações com subsídios fúteis e danosos. Que se
compreenda, de uma vez para sempre, que Zona Franca “bombando” será sinônimo de floresta em pé, rios grandiosos, biodiversidade riquíssima, prosperidade e prestígio internacional para o Brasil e garantia de paz militar.


     
Feliz aniversário aos que lutam por uma verdade que precisa virar evidente.

*O autor é prefeito de Manaus  e ex-senador da República

Sobe Catracas

MARIA INEZ PEREIRA, professora da rede estadual do AM

Artigo dela sobre Fake News, em parceria com outra professora, foi publicado em revista da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ)

Desce Catracas

NATHAN MACENA, prefeito do Careiro Castanho

MPF notificou a Prefeitura por falta de aparelhos de comunicação em escolas e UBSs do município