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Atualizado em 19/10/2017

DOM ORVANDIL #Carta aberta à ministra Cármen Lúcia sobre a anulação do impeachment

DOM ORVANDIL #Carta aberta à ministra Cármen Lúcia sobre a anulação do impeachment

Prezada Senhora ministra Carmén Lúcia,

 

Presidenta do STF, Brasília, DF.

 

Sem ser desrespeitoso com sua pessoa nem com sua investidura como ministra e presidenta do STF, dirijo-me à senhora numa linguagem não protocolar, senhora Cármen.

 

Sabe-se que ninguém nem instituição alguma têm o poder da neutralidade ao ponto de existir a serviço de duas classes antagônicas, com projetos contraditórios e interesses contrários.

 

A pessoa ou instituição move-se a serviço de uma ou de outra.

 

Daqui do mundo da maioria, do mundo do trabalho e da produção, presidenta Cármen, temos a clara percepção de que a senhora e seu STF abandonaram o povo brasileiro e a justiça com verdade.

 

Dois exemplos falam por si. Um é com relação ao golpe de Estado dado por um impeachment que puniu a Presidenta Dilma Rousseff e a democracia, afastando ambas do poder com base em argumentos falaciosos, mentirosos, vazios e criminosos ao rasgar a Constituição.

 

O grave desse golpe foi o fato de as seções do senado, claro, nesse sentido cumprindo o ritual legal, mas de modo injusto, com o próprio STF, através de seu então presidente, presidindo o golpe e, ainda se aproveitando oportunisticamente para pedir aumento salarial a favor dos ministros dessa pobre corte, presidiu seções plenas de canalhices, de ódio, de falta de respeito, com mentiras das mais gritantes e ainda ameaçou de prender um senador porque ele acusou outro de ser desqualificado, no que o parlamentar ameaçado por Ricardo Lewandowski tinha razão.

 

Mais ameaçador, triste e lamentável é o fato dessa corte, que se rebaixa a cada dia, continuar a respaldar vergonhosamente o golpe.

 

A omissão do STF diante dos desmandos absolutamente atentatórios à honra do Brasil, do povo brasileiro, da democracia e da soberania nacional ao permitir que homens e mulheres manchem o Congresso Nacional com calamitosas corrupções e massacre de direitos é extraordinariamente desumano e vergonhoso.

 

A desonra é reforçada pelo seu STF quando respalda o golpe mantendo Michel Temer à frente do governo do Brasil, ainda que quase 100% de nosso povo, a maioria absoluta aqui do vale a quem a sua corte virou as costas na mais descarada desfaçatez nos seguidos sinais de omissão diante dos atentados à ética nacional.

 

O segundo exemplo foi dado pela senhora mesma ao desempatar o placar que levaria seu STF a punir o sacripanta desonrado Aécio Neves, a ser investigado, julgado e punido pelo judiciário por ser um dos maiores e mais indignos cidadãos a ocupar imerecidamente uma cadeira naquela casa virada antro de canalhas.

 

Com sua atitude, presidenta Cármen, a senhora arrastou para nossos dias e para o Brasil o gesto covarde e imoral de Pilatos ao lavar as mãos sem responsabilidade e gaguejando, quando deveria assumir sua missão de fazer justiça.

 

Portanto, como um membro do povo brasileiro, que está do lado contrário ao assumido pelo judiciário, há muito parcial, classista, opressor e demagogo, venho apelar à mulher que preside esta rebaixada corte.

 

Como mulher sua feminilidade combina com soberania, a do Brasil, desde o golpe, obediente ao mercado e ao imperialismo, pais das guerras, dos roubos do suor, do subsolo e das riquezas do Brasil, transferidas para mãos privilegiadas.

 

Sua feminilidade, presidenta Cármen, se harmoniza com democracia, agora sufocada pela assunção da quadrilha golpista ao poder, que usa o Estado como caminho complexo para roubar malas de dinheiro, a força do trabalho, para desempregar, para destruir nossa base produtiva e para nos envergonhar.

 

Mulher honrada e séria afina-se com a justiça, essa fêmea que deste a era mitológica, é capaz de arrancar as vendas das limitações e entregar-se na defesa dos injustiçados.

 

Ora, ministra e presidenta Cármen Lúcia, a senhora preside o STF e, por este fato e pelo de integrar a suprema corte de justiça, tem a oportunidade de comungar e solidarizar-se com a alma feminina estuprada quando a soberania do Brasil fez-se farsa sob farsantes e desonestos.

 

Comungar com a alma feminina ao bradar contra o massacre e estupro da democracia quando a Constituição, sob a guarda do poder que a senhora preside, também foi alvo de ejaculações perversas e iníquas por quadrilheiros imorais.

 

Sua alma feminina é conclamada a tomar postura a favor da justiça, que no pais do golpe foi feita discurso hipócrita e arma de manobra fascista e parcial.

 

Daqui deste lado do Brasil, do meio do povo, dos trabalhadores/as e da sociedade honrada, conclamamos a que a senhora dê seu brado contra o golpe de Estado e paute o mais rapidamente a cura da Nação e, aos olhos desta "Pátria amada, mãe gentil", leve para o plenário do STF o debate e a decisão sobre a anulação da chaga denominada de impeachment.

 

O Brasil e o nosso povo aqui não aguentamos mais tanta desonra, e dor causados pelo golpe de Estado através da vergonhosa farsa chamada impeachment, também contra a presidência exercida por uma mulher como a senhora.

 

Prezada presidenta e ministra do Supremo Tribunal Federal, por favor, em nome do Brasil e a favor dele assuma seu papel e o lugar que lhe cabe na história como a mulher que tem coragem e honradez de desfazer o mal que achincalha nosso País através deste maldito impeachment, que se tornou legítima ponte para o inferno.

* O autor é Editor do blog Cartas Proféticas, presidente da Ibrapaz, Arcebispo Primaz da Igreja Católica Anglicana e professor universitário

* Artigo escrito originalmente no Portal Brasil 247

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