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Atualizado em 05/07/2017

ANDRÉ SEFFAIR #O que viemos fazer neste Mundo?

ANDRÉ SEFFAIR #O que viemos fazer neste Mundo?

O dono do Blog me deu um ultimato: ou manda logo um artigo, ou tá demitido. Sei que ele tava com raiva porque o Boi dele perdeu, mas como preciso do emprego e a coisa não tá fácil pra ninguém, melhor obedecer senão ele vai lançar uma praga contra minha pessoa (e praga desses caras pega!). Então, sem mais delongas, lá vai o artigo.

 

Resolvi ficar calado esse tempo por vários motivos. Primeiro, porque depois da lavajato não tá fácil explicar o Brasil. Segundo, porque depois do TSE e do STF tá mais difícil ainda comentar sobre o Amazonas. Terceiro, qualquer opinião definitiva sobre o hoje pode ser cassada amanhã por um despacho do Lewandowski (será que é assim mesmo que se escreve?). Esse ambiente de caos e fuleragem, confesso, tem minado minhas esperanças e não gosto de escrever senão for para lançar luzes, essa parada de trevas não é comigo. Como estava sem luzes para oferecer, preferi o silêncio.

 

 O Brasil é difícil de explicar, somos muitas etnias, muitas origens, muitas culturas, muito território, onde, num turbilhão de interesses pelo poder e pelo dinheiro, sobram problemas e faltam soluções. Viver bem nas cidades do Brasil hoje se resume a gastar muito dinheiro, fugir dos perigos de um trânsito caótico e rezar para não ser assaltado ou vítima de assassinato.

 

Nessa profusão de iniquidades ninguém parece ter boa vontade para colaborar. Cada um, do modo que pode e bem entende, exige, ou simplesmente arranca dos outros, o que acha que é seu por direito e, no final, perdemos todos, sobrevivendo num território violento, corrupto e essencialmente injusto.

 

Não canso de repetir, e o farei sempre, somos o país que, em autodenominado tempo de paz, mais mata pessoas no planeta, brasileiros parecem odiar hoje uns aos outros como nunca antes na história desse país. Os nossos números de assassinatos são sintomáticos de que algo de muito podre ronda o país, muitos cogitam ser algo estruturante do caráter brasileiro ser violento, mal educado e corrupto. Não é!

 

A maioria dos leitores nunca matou ninguém, nunca roubou e procura ser boa pessoa no meio social, porém, se tem algo negativo que nos diferencia de outras nações mais bem resolvidas são a individualidade, a indiferença e o egoísmo.

 

Aceitamos crianças pedindo esmola nas nossas esquinas e achamos isso normal, seguimos nossa vida, como se aqueles humanos fossem uma abstração.

 

 

Assistimos políticos comprarem nossas esperanças, roubarem o que não lhes pertencem e continuamos os elegendo para nos roubar mais e mais, e ainda por cima os cultuamos, achamos lindo que eles são “safos”, são “espertos”, têm “moral”.

Pra acabar, aceitamos passivamente que mais de 60 mil brasileiros sejam assassinados e outros 30 mil sejam mortos no trânsito (são mais de 3 bumbódromos lotados mortos violentamente por ano) sem tomarmos nenhuma providência efetiva e concreta em relação a isso senão ficar com raivinha quando assistimos a estes programas policialescos e exigir das “autoridades”, aquela gente que elegemos, alguma solução que, francamente, dali sabemos que não virá.

 

Não protegemos nossa infância, não educamos nossa juventude, cultuamos ladrões e não enfrentamos de frente nossos maiores problemas. Como é que queremos ser um bom país? Que tipo de gente somos nós?

 

Não adianta sermos pessoas de bem e aceitar passivamente o domínio do mal. Nesse mundo temos missões e devemos cumpri-las, assim como nosso Mestre o fez para nos salvar. Jesus foi acima de tudo um cabra teso, corajoso, admirável, foi às últimas consequências para cumprir sua missão. Não fugiu dela. Morreu nas mãos do povo deste mundo por cumprir o seu dever.

 

Honrá-lo não significa se entocar numa igreja, cheia de falsos moralismos e viver uma pretensa santidade, mas sim reconhecer que somos imperfeitos, mas que cada um de nós, cheios de defeitos, fomos convocados para fazer a diferença neste mundo.

 

Ao virar a cara para os nossos problemas, abandonar nossas crianças e cultuar ladrões estamos abandonando nossa missão e deixando que nosso tempo e nosso espaço seja dominado pelo mal. Isso sim é um pecado que não será perdoado.

 

Ou cerramos fileiras no exército do bem para efetivamente combater o mal com ações individuais e concretas, ou aceitamos que o mal nos domine sem que lutemos contra ele. O primeiro significa cumprir com nossos deveres, o segundo significa renegar tudo o que de mais sagrado temos neste mundo.

 

Nenhum de nós veio ao mundo para ficar sentado numa cadeira com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar. Nos levantemos, lutemos, sejamos hoje a mudança que queremos para o nosso mundo de amanhã. Salvem nossas crianças, eduquem nossa juventude parem de admirar políticos ladrões!!! Até.

¨*O autor é Mestre em Direitos Humanos pela UEA e doutorando em Ciências Criminais pela universidade de Coimbra 

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